
Por: Rozembergue Marques
As escolas de dança de Dourados sentiram na pele (ou melhor, no bolso) a falta que faz um espaço público adequado para realização de espetáculos como as que realizam tradicionalmente neste período do ano. Com o Teatro Municipal fechado para o público devido ao desgaste das estruturas (acústica, iluminação, hidráulica, elétrica, piso, forro, assentos e pintura, dentre outros inúmeros problemas) os espetáculos tiveram que ser realizados em espaços locados e improvisados.
O “drama” de não ter um espaço para apresentação se estendeu a outras manifestações artísticas, como o teatro e a música. O ator, palhaço, bailarino e diretor teatral Thiago Rocha fez, em entrevista a O Progresso, um bom “resumo da ópera”: “Com o único espaço adequado fechado a cidade tem um grande problema na realização de festivais de dança, teatro, eventos corporativos, grandes palestras. No nosso caso, faz com que Dourados deixe de ser rota de eventos que necessitam de uma estrutura teatral”, avaliou Thiago, que faz parte da Cia. Theastai de Artes Cênicas e do Circo Le Chapeau.
Ainda no que se refere a espaços públicos para apresentações culturais, outro “nó” a ser desatado é a impossibilidade de uso da Concha Acústica da Praça do Cinquentenário. Embora com palco e arquibancadas preservados, atrás do palco, o espaço fechado que normalmente é usado para os artistas se prepararem, guardarem instrumento, adereços e etc, se encontra um caos: restos fecais, sujeira de toda ordem e banheiros entupidos.
Outro problema são as bibliotecas. A Vicente de Carvalho, que existia na Praça Antônio Alves Duarte (em frente ao Hospital Evangélico) foi praticamente desativada, contando hoje apenas com alguns exemplares retirados da biblioteca que existia na Praça da Juventude, localizada no bairro Parque das Nações I. Os livros dividem espaço com o recém-implantado Centro de Inovação de Dourados e com uma sede da Guarda Municipal. Já a Biblioteca Chester Bonfim, localizada ao lado da Praça do Cinquentenário, precisa de reformas estruturais e de renovação do acervo.
Para o escritor Marcos Coelho, presidente da Academia Douradense de Letras, e para o também escritor e historiador Magno Mieres, a inovação trazida pelas novas tecnologias, notadamente a disponibilização de conteúdos na internet, pode conviver em harmonia com o livro físico. “É importante que as políticas públicas garantam, a médio e longo prazos, as bibliotecas vivas e alinhadas aos interesses da sociedade, com infraestrutura predial, tecnológica, acervos físicos e digitais, funcionários capacitados e materiais de trabalho”, afirmou o presidente da ADL. “Mesmo com o advento da internet ainda temos muitos apreciadores do livro físico. Além do mais, há os casos dos alunos que não tem computadores com aceso à internet. A pandemia mostrou o quanto essa parcela da população perdeu no que tange ao aprendizado, pois mesmo os que não tem computador mas tem celular muitas vezes não tem acesso à internet. As bibliotecas precisam ser mistas”, ponderou, por sua vez, o historiador Magno Mieres, que é professor na rede pública de ensino.
Por fim, a Prefeitura precisa viabilizar um espaço adequado para outra fonte de conhecimento e informação que está se deteriorando como passar dos anos: o Museu Histórico de Dourados, que possui cerca de 5 mil peças e está instalado em uma ala acanhada do Terminal Rodoviário.
A respeito de não estar cedendo o Teatro para eventos como os citados na reportagem e sobre um local mais adequado para sediar o Museu, a Prefeitura ponderou que o Teatro Municipal está sendo utilizado apenas para eventos internos, como as apresentações das escolas municipais durante o REMEFEST. Essas são apresentações mais simples que não exigem uma iluminação especial e outros aspectos técnicos que, em uma apresentação mais elaborada, poderiam não atender como esperado. Por isso está se evitando ceder o espaço para outros eventos. Para resolver esse problema e ter o Teatro Municipal, a Secretária de Obras Públicas já tem um projeto de revitalização e adequação às novas normas de segurança que será implementado com os recursos do Fonplata, que deve ser liberado nos próximos meses.
Sobre o Museu, o espaço é considerado pela Secretaria de Cultura, responsável por sua gestão, “um patrimônio que abriga parte da nossa história e deverá sempre ser valorizado, por isso a readequação, revitalização e a melhoria interna e externa estão dentro das metas da Secretaria de Cultura. Para 2023 a SEMC pretende divulgar ainda mais as ações deste espaço e com certeza, se houver a possibilidade, de levá-lo para um local mais amplo, mais acessível a Secretaria de Cultura fará isso, pois a história de Dourados deve ser preservada”.





























