Deputado Rodolfo Nogueira critica operação contra Bolsonaro e acusa STF de perseguição política

O deputado federal sul-mato-grossense Rodolfo Nogueira (PL) usou as redes sociais, nesta sexta-feira (18), para criticar a nova operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e incluiu busca e apreensão, além da imposição do uso de tornozeleira eletrônica ao ex-chefe do Executivo.

Em vídeo publicado no Instagram, Nogueira afirmou que as decisões do ministro Alexandre de Moraes “afrontam o presidente Donald Trump” e demonstram que “não há preocupação com o Brasil nem com a economia nacional”. Para o deputado, a operação teria sido motivada por interesses políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo Lula.

“O senhor não está pensando no país nem na economia do Brasil. Suas decisões afrontam o presidente Trump, e todos sabemos que ele não volta atrás em suas posturas. Isso é uma perseguição implacável ao ex-presidente Bolsonaro”, declarou o parlamentar bolsonarista.

O deputado ainda criticou o Senado Federal por, segundo ele, permitir os excessos do ministro. “O Senado está permitindo que Alexandre de Moraes peite Trump”, escreveu na legenda da publicação. Nogueira também ressaltou que a decisão foi tomada de forma individual, sem deliberação do colegiado do STF.

Medidas contra Bolsonaro e decisão da Primeira Turma

A operação desta sexta-feira foi motivada por investigações que apuram possível articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro com aliados internacionais, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pressionar o STF. Moraes apontou indícios de tentativa de coação ao Judiciário e de obstrução de Justiça.

Além da imposição do uso da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro também está proibido de utilizar redes sociais e de manter contato com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho, que atualmente está nos Estados Unidos.

A Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, começou a julgar de forma virtual a confirmação das medidas cautelares. Até o momento, três ministros — Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino — votaram a favor da manutenção das restrições. O julgamento segue até segunda-feira (21).

No voto, Flávio Dino afirmou que há risco concreto à ordem pública e à soberania nacional. Ele também criticou o que chamou de tentativa de “sequestro da economia” por parte de Bolsonaro e aliados, visando pressionar o Supremo a encerrar investigações em curso.

Operação e acusações da PF

Segundo a Polícia Federal, as ações do ex-presidente e de Eduardo Bolsonaro configuram “gravíssima agressão estrangeira ao Brasil” e têm como objetivo interferir no funcionamento do STF. As manifestações públicas favoráveis às tarifas de 50% aplicadas pelos EUA sobre produtos brasileiros teriam sido utilizadas como forma de retaliação política, criando uma crise econômica com potencial de desestabilização institucional.

A PF afirma que o objetivo seria dificultar o andamento da Ação Penal 2.668/DF, que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A corporação apontou risco de fuga e pediu medidas cautelares, acatadas por Moraes com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Até o momento, não há decisão sobre eventual prisão preventiva de Bolsonaro, mas a manutenção das medidas está sendo analisada pela Turma do STF.