20.1 C
Dourados
Segunda-feira, Julho 27, 2026
Início Dourados MPF aciona Justiça contra Estado por violência policial contra indígenas que protestavam...

MPF aciona Justiça contra Estado por violência policial contra indígenas que protestavam por água

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública (ACP), com pedido de liminar, para responsabilizar o Estado de Mato Grosso do Sul por suposta violência policial desproporcional e abusiva contra as comunidades Guarani-Kaiowá e Terena, na Reserva Indígena de Dourados (RID).

O episódio ocorreu em 27 de novembro de 2024, durante uma manifestação pacífica de indígenas que reivindicavam a regularização do fornecimento de água potável, com fechamento da MS-156, entre Dourados e Itaporã. O protesto ocorreu após sucessivas semanas sem água nas aldeias Jaguapiru e Bororó. 

Segundo a ação, a Polícia Militar do Estado (PMMS) teria utilizado métodos violentos de dispersão, como tiros de balas de borracha a curta distância, bombas de efeito moral e gás de pimenta, resultando em feridos com lesões graves e traumas psicológicos.

A ação é conduzida pelo procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida e pede a condenação do Estado por danos morais coletivos e individuais, além da implementação de medidas preventivas.

Alegações do MPF

O MPF sustenta que a repressão violenta, somada ao histórico de omissão no atendimento de direitos básicos na RID, configura discriminação indireta, múltipla e racismo institucional. O documento cita o precedente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Caso Tavares Pereira vs. Brasil) como referência para apontar a violação de padrões internacionais de direitos humanos.

Além da violência nas ruas, o MPF denuncia que policiais invadiram casas na Reserva sem mandado judicial, configurando abuso de autoridade e violação à inviolabilidade do domicílio.

Indenizações pedidas

O MPF solicita que a Justiça condene o Estado de MS ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 5 milhões, revertidos a projetos voltados à segurança hídrica e alimentar das comunidades indígenas.

Quanto aos danos individuais, o pedido prevê 40 salários mínimos para cada indígena que tenha sofrido lesões corporais e 30 salários mínimos para cada participante da manifestação que tenha tido direitos violados, ainda que sem dano físico comprovado.

Além da reparação financeira, a ação pede que o Estado seja obrigado a implementar medidas estruturais de prevenção. Entre elas o plano para instalação de câmeras corporais de áudio e vídeo em todos os policiais militares empregados em operações de controle de distúrbios ou em áreas de conflito, com prazo de 30 dias para apresentação do plano e 180 dias para implementação efetiva

O processo agora segue para análise da Justiça Federal, que deverá decidir sobre o pedido liminar.