Ponte Bioceânica avança e entra na reta final para conectar Brasil ao Pacífico

Considerada uma das obras mais estratégicas para a integração logística da América do Sul, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica avança para a etapa decisiva de interligação física entre Brasil e Paraguai. Restam aproximadamente 101 metros para o fechamento total da estrutura, que terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, conectando Porto Murtinho a Carmelo Peralta.

A chamada aduela de fechamento — segmento técnico responsável por unir definitivamente os dois lados da ponte, popularmente conhecido como “beijo” das aduelas — tem previsão de conclusão até o fim de maio, conforme informado pela equipe responsável pela construção. Atualmente, cerca de 280 trabalhadores, entre brasileiros e paraguaios, atuam diretamente na obra.

Monitoramento eletrônico e reforço estrutural

Após a finalização da ligação principal, serão executados serviços complementares fundamentais para garantir estabilidade e segurança. Entre eles estão a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado para consolidar a união estrutural entre os dois países, o retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a colocação de 168 amortecedores para controle de vibração.

Os dois pilares centrais e os cabos estaiados receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas e deformações em tempo real. O sistema enviará dados contínuos a centrais computacionais, permitindo o acompanhamento do comportamento estrutural da ponte, inclusive durante a passagem de veículos pesados ou em situações excepcionais.

Infraestrutura complementar e entrega prevista

Outras etapas previstas incluem a implantação de iluminação fluvial para navegação segura no Rio Paraguai, acabamento do pavimento, instalação de guarda-corpos e estrutura para pedestres e ciclistas — já que a ponte contará com ciclovia. Posteriormente, serão realizados asfaltamento, pintura, sinalização viária e iluminação ornamental.

A entrega completa da obra está programada para agosto de 2026.

Eixo estratégico do Corredor Bioceânico

A ponte é peça-chave do Corredor Rodoviário de Capricórnio, conhecido como Rota Bioceânica, que conectará os portos chilenos de Antofagasta e Iquique ao Brasil, passando por Paraguai e Argentina. A nova rota deverá reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras destinadas à Ásia.

Em viagens com destino à China, a expectativa é de redução de até 23% no tempo de transporte, o que representa economia estimada entre 12 e 17 dias no percurso.

Além da ponte e dos acessos viários, estão previstas estruturas alfandegárias integradas em ambos os lados da fronteira. A projeção inicial da Receita Federal do Brasil aponta para fluxo diário de aproximadamente 250 caminhões, com tendência de crescimento à medida que o corredor se consolide como alternativa logística estratégica para o Mercosul e os mercados asiáticos.