Superlotação e falhas estruturais na USF Serradinho viram alvo de investigação do MP

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou um inquérito civil para investigar a situação da USF (Unidade de Saúde da Família) Dra. Sumie Ikeda Rodrigues, conhecida como USF Serradinho, em Campo Grande, por sobrecarga de profissionais, falhas estruturais e risco à qualidade do atendimento a pacientes. 

Segundo as investigações, conduzidas pela 76ª Promotoria de Justiça, há indícios de superlotação, sobrecarga de profissionais e dificuldades no atendimento à população, especialmente diante da vulnerabilidade social da região. 

A unidade chega a registrar entre 300 e 500 atendimentos por dia, número acima da capacidade operacional recomendada pela Política Nacional de Atenção Básica. O relatório técnico elaborado após vistoria do MP também apontou deficiências estruturais, como a interrupção dos serviços odontológicos devido a um compressor quebrado desde junho de 2025, além da falta de agentes comunitários de saúde em algumas microáreas.

Outro fator que contribui para a pressão sobre a unidade é a estratégia de “acesso avançado”, que destina 70% das vagas diárias à demanda espontânea. Embora a medida tenha reduzido o absenteísmo, aumentou a sobrecarga das equipes. Atualmente, a USF conta com cinco equipes de Saúde da Família e três de Saúde Bucal, apoiadas por residentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e equipe multiprofissional, mas o MPMS considera que a estrutura ainda é insuficiente para absorver o volume de atendimentos.

Instaurada a investigação, o MP solicitou à Secretaria Municipal de Saúde informações detalhadas sobre a carga horária dos profissionais, a lista de agentes comunitários, os registros de visitas domiciliares e o planejamento para a implantação de novas equipes. Também agendou reunião com conselheiros locais de saúde para ouvir diretamente a comunidade.