
A Justiça determinou a liberação dos cinco investigados apontados como integrantes de um esquema de fraudes na compra de medicamentos contra o câncer em Mato Grosso do Sul. Eles haviam sido presos no último dia 23 de abril, mas deixaram a custódia após o término do prazo da prisão temporária, já que o pedido de prorrogação foi negado.
A solicitação para manter os suspeitos detidos partiu do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, com apoio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Ainda assim, o Judiciário entendeu que não havia, neste momento, fundamentos legais suficientes para estender as prisões.
As detenções ocorreram durante a Operação Oncojuris, que cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Entre os investigados estão profissionais da área farmacêutica, um advogado e dois ex-servidores ligados à Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo a Polícia Civil, a libertação dos suspeitos não representa absolvição nem enfraquecimento das provas já reunidas. A decisão judicial se limita à análise dos critérios legais da prisão cautelar nesta etapa do processo. As investigações seguem em andamento para detalhar a atuação de cada envolvido.
As apurações indicam que o grupo utilizava empresas com pouca ou nenhuma estrutura para ingressar em ações judiciais como fornecedoras de medicamentos. Os valores apresentados pareciam dentro dos limites permitidos, o que facilitava a autorização das compras.
Após o repasse dos recursos públicos, grande parte do dinheiro seria desviada por meio de contratos de assessoria e serviços, reduzindo significativamente o valor destinado à aquisição dos remédios.
Outro ponto investigado é a origem dos medicamentos entregues aos pacientes. Há indícios de que produtos diferentes dos autorizados judicialmente foram fornecidos, inclusive itens importados sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A polícia também apura possíveis consequências mais graves, como mortes de pacientes durante o período em que o esquema teria operado, embora ainda não haja confirmação de vínculo direto com os medicamentos utilizados.
O prejuízo estimado aos cofres públicos pode alcançar R$ 78 milhões em um ano. O inquérito segue sob sigilo, com o objetivo de esclarecer completamente o caso e responsabilizar os envolvidos.





























