Pai de Vorcaro é preso um dia após áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro

Henrique Vorcaro ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

O empresário Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco
Master, Daniel Vorcaro, foi preso na manhã desta quinta-feira (14) pela Polícia
Federal, na 6ª fase da Operação Compliance Zero. Agentes da corporação também
estão entre os alvos da ação.

Em nota, a corporação informou que o objetivo da operação
é aprofundar as investigações de organização criminosa suspeita de praticar
condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões
a dispositivos informáticos.

A nova fase da operação ocorre um dia após o vazamento de
áudio enviado ao banqueiro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) pedindo
dinheiro, supostamente para financiar um filme sobre a história do
ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e
atualmente cumprindo pena em regime domiciliar.

De acordo com a PF, os policiais federais cumprem, ao
todo, sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão,
expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, do Rio
de Janeiro e de Minas Gerais.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos
públicos e de sequestro e bloqueio de bens. Entre os alvos estão uma delegada e
um agente da Polícia Federal.

Ainda de acordo com a PF, estão sendo investigados os
crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa,
invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

Compliance Zero

Na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira
(7), policiais federais cumpriram um mandado de prisão temporária e 10 mandados
de busca e apreensão. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil
do governo Bolsonaro, está entre os investigados.

Já na 4ª fase, deflagrada em 16 de abril, foram presos,
em caráter preventivo, o ex-presidente do banco público do Distrito Federal
Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador
jurídico-financeiro do esquema fraudulento montado pelo banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do Master, que está detido desde o início de março.

Nas quatro primeiras fases da Compliance Zero, a PF
cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades federativas (Bahia,
Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo).

A pedido da própria corporação e do Ministério Público, a
Justiça determinou o sequestro ou o bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos
até o limite de R$ 27,7 bilhões e o afastamento dos investigados de eventuais
cargos públicos.

 Flávio Bolsonaro usou camiseta ligando Master a Lula em evento no fim de semana em SC (Foto: Reprodução)

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a
presidente da República, admitiu ter mantido contato por quase um ano com o
banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, período durante o
qual articulou um apoio de R$ 134 milhões para a realização de um filme sobre a
vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso foi revelado nesta quarta-feira (13) em uma
reportagem do portal The Intercept Brasil.

Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de recurso e
a relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada. 

“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No
nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um
filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero
de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo
Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas
públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento
das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse o
parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.

Ainda na nota, Flávio Bolsonaro nega ter combinado
qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi
encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não
recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações
espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero,
CPI do MASTER JÁ”, completou.

Após a nota, um vídeo de Flávio repetindo os mesmos
argumentos também está sendo divulgado nas redes sociais. Nessa gravação, ele
diz que Vorcaro parou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e
informa que havia um contrato assinado a respeito desses repasses prometidos.

Áudio revelado

Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a
reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador que menciona a
importância do filme sobre o pai e a necessidade do envio dos recursos para
pagar “parcelas para trás”. 

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te
cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento
muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está
todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente
sonhou para o filme”, disse o senador na mensagem trocada com o banqueiro.

A reportagem revela também, com base em outras mensagens
de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte
do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025.

Prisão

As últimas conversas entre ambos, reveladas pela
reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para
o Banco Master e Vorcaro. Pouco mais de uma semana depois dessa troca de
mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal
(PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fraudes
financeiras.

Atualmente, ele está preso na Superintendência da PF em
Brasília e negocia um possível acordo de delação premiada.

O filme estaria sendo realizado por uma produtora no
exterior, com atores e equipes estrangeiros, e tem previsão de ser lançado
ainda este ano. Segundo a matéria, o apoio envolveu transferências
internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados
Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro,
irmão de Flávio.