
Após seis anos foragido da Justiça, o narcotraficante Gerson Palermo foi preso nesta terça-feira (26) em território boliviano durante uma operação conjunta entre forças policiais da Bolívia e a Polícia Federal. A captura ocorreu na região de Santa Cruz de la Sierra.
O nome de Palermo voltou recentemente ao noticiário nacional após reportagem exibida pelo Fantástico, no domingo, relembrar a polêmica decisão judicial que permitiu sua saída da prisão em 2020. Na época, o criminoso deixou o presídio usando tornozeleira eletrônica, mas rompeu o equipamento e desapareceu menos de cinco horas depois.
Com extensa ficha criminal, Gerson Palermo ficou conhecido nacionalmente após comandar o sequestro de um avião da Vasp no ano 2000. Conforme as investigações, o objetivo da ação era roubar cerca de R$ 5,5 milhões transportados em malotes bancários. A aeronave teve a rota desviada para o município de Porecatu, no Paraná.
Além desse caso, Palermo também acumulava condenações por tráfico de drogas e outros crimes ligados ao crime organizado. Somadas, as penas ultrapassam 120 anos de prisão.
A fuga aconteceu em abril de 2020, durante o período crítico da pandemia de Covid-19, quando parte dos presos idosos ou com doenças graves recebeu autorização para cumprir prisão domiciliar. Mesmo sem se enquadrar nos critérios estabelecidos, Palermo conseguiu o benefício por decisão do então desembargador Divoncir Maran, durante plantão do feriado de Tiradentes.
A decisão provocou forte repercussão nacional depois que o traficante rompeu a tornozeleira eletrônica poucas horas após deixar a cadeia.
Anos depois, a própria decisão passou a ser alvo de investigação. Em 2024, a Polícia Federal realizou operação para apurar suspeitas de corrupção envolvendo o magistrado. Conversas interceptadas indicariam que Divoncir Maran já teria conhecimento prévio do habeas corpus antes mesmo do pedido chegar oficialmente ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Diante das suspeitas, o Conselho Nacional de Justiça determinou a aposentadoria compulsória do desembargador.
Após a prisão na Bolívia, autoridades brasileiras agora trabalham nos trâmites para expulsão de Gerson Palermo do país vizinho e transferência dele ao sistema prisional brasileiro.



























