
Governador eleito de Minas Gerais afirma que Flávio Bolsonaro deve preservar perfil “humilde, ponderado e equilibrado” para vencer eleição
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirma que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está perdendo as eleições para a picanha. A fala, dita em entrevista ao Poder360, faz menção à promessa de campanha de 2022, quando o petista prometeu que o brasileiro voltaria a “comer picanha e tomar cerveja”.
“O Lula prometeu que ia dar picanha. Fez uma promessa de impacto para quem está vendo ali um cidadão trabalhador ouvir que vai ter picanha. Aí chega o governo dele e você olha o custo de vida do cidadão brasileiro”, disse.
Na avaliação de Cleitinho, a principal preocupação do eleitor atualmente é o custo de vida. Ele afirma que Flávio conseguiu identificar essa demanda durante a campanha e transformá-la em uma das principais pautas de sua candidatura. “O que mais hoje o povo reclama é a questão do custo de vida do cidadão”, declarou.
Para vencer as eleições, diz, Flávio Bolsonaro (PL) precisa manter a capacidade de ouvir e dialogar. Para ele, o comportamento do senador durante os 4 anos de convivência no Congresso foi um dos fatores que o ajudaram a chegar ao 2º turno. Cleitinho foi eleito em 2022. “Flávio é uma pessoa extremamente humilde, ponderada e equilibrada”, disse.
Segundo ele, o candidato do PL deve levar esse comportamento para uma eventual Presidência, mantendo o diálogo com diferentes grupos políticos, se vier a ser eleito.
Cleitinho também fala sobre a futura relação com o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, a quem pretende dar papel relevante na administração estadual. “Nós vamos governar juntos. Eu já falei isso: vão ser 2 governadores”, afirmou.
Poder360 – Qual será o desfecho do segundo turno? Lula ainda tem chances?
Cleitinho Azevedo – Eu já tinha declarado apoio ao Flávio Bolsonaro. Fui um dos primeiros candidatos a governador, em janeiro, quando ele oficializou a pré-candidatura, a dizer que estaria com ele.
Quando começou a campanha, houve aquela questão sobre a minha candidatura em Minas Gerais. O PL ficou aguardando a oficialização da minha candidatura, mas, como o Republicanos ainda não tinha me dado a vaga, o partido precisava de um palanque para o Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e acabou lançando o Flávio Roscoe –que também é Flávio.
Por essa questão partidária, eu não tive o palanque. Se tivesse tido, o Flávio teria me apoiado. Mesmo assim, sem palanque no 1º turno, fiz campanha para o Flávio Bolsonaro.
Agora, passada a eleição, me encontrei hoje mesmo com o Flávio para gravarmos um vídeo e mostrarmos que Minas Gerais está com ele.
Minas Gerais tem um aspecto muito simbólico: desde 1955, só um presidente, Getúlio Vargas, ganhou a Presidência sem ganhar em Minas Gerais. Flávio saiu na frente em Minas Gerais. Você acha que ainda tem como ampliar a votação dele no seu Estado?
Tem, porque agora eu e o Flávio vamos caminhar juntos. No 1º turno, ele não poderia caminhar comigo. Agora, vamos fazer palanque juntos, e isso é muito importante.
E você deixou isso muito claro: no 1º turno, o Flávio já ganhou em Minas Gerais. Minas Gerais decide a eleição. Se ele já ganhou no 1º turno, vai ganhar novamente no 2º turno e vai provar que Minas decide a eleição.
Vocês pretendem ter alguma influência na composição do governo Flávio Bolsonaro, tentar deixar um pouco a marca de vocês, seja com algum ministério, seja com alguma característica do governo?
Não. Eu não faço esse tipo de política. Não é porque estou apoiando o Flávio que vou pedir alguma coisa a ele. Em nenhum momento pedi e nunca vou pedir nada a ninguém.
O governo é dele. É ele quem tem que escolher as pessoas que vão fazer parte da equipe, assim como, no meu governo em Minas Gerais, eu e o Falcão vamos escolher as pessoas que considerarmos capacitadas para serem secretários.
A única coisa que pedi ao Flávio foi que ele reveja a dívida de Minas Gerais, que hoje está em cerca de R$
200 bilhões. Ele se comprometeu a rever essa dívida e a discutir as prestações que o Estado paga todos os meses.
A ideia é que esses recursos possam ser revertidos para Minas Gerais, inclusive em obras de infraestrutura, segurança pública e saúde que são de competência do governo federal. Em vez de o dinheiro sair do Estado para pagar a dívida, queremos que possa ser investido em Minas.
Segundo Cleitinho Azevedo, Flávio tem que manter a capacidade de diálogo com todo mundo para vencer Lula e fazer um governo bem-sucedido
No passado, houve uma negociação de natureza parecida no governo Jair Bolsonaro com a cidade de São Paulo, em que uma dívida bastante grande e antiga acabou sendo negociada. Você acha que uma negociação semelhante à de São Paulo serviria para Minas Gerais?
Acho que sim. Quando existe diálogo, existe parceria. E o próprio Flávio, no vídeo que gravamos hoje, se comprometeu a rever essa dívida.
Luís Eduardo Falcão (vice): Ela não é importante. É vital. O governo de Minas depende disso. Sem essa renegociação, o Estado, sem nenhuma capacidade de investimento nos próximos anos, pode se transformar em um Estado que só paga salário. E não é isso que queremos.
Nós ganhamos a eleição para devolver a Minas Gerais a condição de destaque que sempre teve no Brasil, para Minas voltar a ser um grande Estado. São Paulo está investindo muito, Mato Grosso, Goiás e outros Estados vizinhos também. Minas não pode ficar para trás.
Por isso, ficamos felizes por termos sido bem recebidos hoje pelo Flávio Bolsonaro. Quero até parabenizar o nosso governador eleito, Cleitinho, que não veio apenas fazer campanha. Ele já foi negociar isso e colocou a questão como uma prioridade. Foi a primeira coisa que falou: precisamos renegociar a dívida.
É claro que Minas deve, mas podemos renegociar as condições e discutir o que é pago. Pelo menos uma parte desses recursos precisa voltar para Minas Gerais. O Brasil passa por Minas. Veja a quantidade de rodovias federais: a maior malha rodoviária do país está em Minas Gerais.
Então, se o governo federal conseguir devolver parte desses recursos para Minas, não será bom apenas para o governador Cleitinho ou para o presidente. Será bom para todo mundo, para o Brasil inteiro.
No passado, Minas Gerais já teve uma composição política que incluía o governador e o vice-governador, inclusive como secretário de governo, como no governo Aécio e Anastasia. E, ao ver vocês 2 sempre bastante próximos, me parece que Falcão deve ter um cargo de relevância dentro do governo para te ajudar a governar. Qual será esse cargo?
É o que ele quiser. Nós vamos governar juntos. Eu já falei isso: vão ser 2 governadores.
E eu estou zero humilde nessa questão. Jesus Cristo, quando veio à Terra, não precisava de ninguém, mas andava com 12. Eu precisava de mais uns 11 Falcão para andar comigo.
Não tenho problema nenhum com isso. Eu aprendo com ele, ele aprende comigo. É assim que se faz política.
E Falcão, ele falou deixou a bola para você. O que você quer?
Eu não dependo de um cargo específico para atuar em todas as áreas. Inclusive, já conversei com o nosso governador sobre isso. Posso ficar como vice-governador e atuar, ajudando em todas as áreas.
Na saúde pública, temos a experiência de Patos de Minas. Abrimos o hospital e retomamos tratamentos de câncer e de coração para toda a macrorregião. Na infraestrutura, fizemos muitas obras. Na área de finanças, que é o coração do governo, também posso contribuir.
E existe a parte política, o relacionamento com deputados, prefeitos e prefeitas. Modéstia à parte, tenho uma boa relação com os prefeitos e prefeitas de Minas Gerais.
Então, acredito mais em uma atuação polivalente do que em ficar vinculado a uma secretaria específica. Mas ele é o governador e vai definir. Ele é o técnico do time. A posição em que ele pedir para eu jogar, eu vou jogar.
Cleitinho: Ele vai jogar em todas as posições. Inclusive, está liderando a transição. Eu oficializei essa missão e ele está fazendo esse trabalho. Como ainda sou senador e preciso estar aqui em Brasília, dei essa missão a ele e tenho certeza de que vai fazer com excelência.
E nós vamos governar juntos. Isso é o mais importante. Eu não tenho que ter vaidade, não tenho que achar que só eu tenho que ser governador. O secretariado tem que estar comigo, o Falcão tem que estar comigo.
E, para falar a verdade, nós vamos ficar quase 24 horas por dia tratando de Minas Gerais. Vinte e quatro horas a gente precisa dormir, mas, fora isso, vamos trabalhar porque Minas precisa.
Cleitinho, você foi uma pessoa que teve grande destaque antes de vir para a política pelas redes sociais. Você domina esse mundo e é muito habilidoso nesse ambiente. O presidente Lula, nitidamente, teve alguma dificuldade ao longo da campanha. Na sua avaliação, qual foi o maior erro do presidente Lula durante essa campanha?
O Lula prometeu que ia dar picanha. Fez uma promessa de impacto para quem está vendo ali um cidadão trabalhador ouvir que vai ter picanha. Aí chega o governo dele e você olha o custo de vida do cidadão brasileiro.
Olha o supermercado. Um trabalhador que ganha R$ 1.600 vai ao supermercado hoje, faz uma compra normal de R$ 700 e ainda tem que pagar conta de água, energia, IPVA, IPTU. A pessoa está trabalhando simplesmente para trabalhar, não para viver.
Então, para mim, essa foi a principal questão: o custo de vida do cidadão. E o próprio Flávio pautou isso na campanha, a questão do custo de vida.
Outra coisa que considero errada foi Lula não ter buscado pacificar o país. Ele já foi presidente duas vezes e sabe que vivemos um momento de polarização. Deveria ter buscado a pacificação.
Olha a questão do 8 de Janeiro e a injustiça que, na minha visão, foi cometida com aquelas pessoas. E ele continua jogando mais lenha na fogueira, em vez de pacificar o país.
Eu falo isso direto para o Falcão: agora que virei governador, tenho que dar o exemplo, porque o exemplo arrasta. Quero ser um governador de pacificação.
Agora, para a gente encerrar a nossa entrevista, qual foi o grande acerto do Flávio até agora e o que ele precisa fazer para ganhar essa eleição?
Primeiro, uma coisa que o Flávio tem: eu trabalho com ele há 4 anos como senador e posso dizer que ele é uma pessoa extremamente humilde, ponderada e equilibrada. Quem conhece sabe disso.
Acho que essa humildade foi um dos fatores que fizeram com que ele chegasse até aqui e pautasse aquilo que considero a principal preocupação do cidadão hoje: o custo de vida.
Eu sou trabalhador, vim de uma origem humilde, tenho cheiro de povo e conheço o povo. E o que mais o cidadão reclama hoje é do custo de vida. Isso está tendo um impacto muito grande no dia a dia do trabalhador.
Daqui para frente, acredito que o Flávio precisa manter essa capacidade de ouvir. Eu presenciei isso nesses 4 anos como parlamentar. Ele dialoga com parlamentares de esquerda, de centro e de direita. Todos os parlamentares que respeitam o Flávio têm espaço para conversar com ele.
Tenho certeza de que, como presidente, ele vai levar isso para o governo: ouvir as pessoas, receber sugestões e dialogar.
Espero que ele consiga, junto com a gente, virar esse jogo e mudar essa história.
Assista (9min25s):

























