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Domingo, Novembro 1, 2026
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O abacaxi que faz de Porto Grande uma referência no Amapá

Com sabor adocicado e aroma marcante,a fruta do município amapaense é a grande estrela da cidade

Com sabor adocicado e aroma marcante, o abacaxi de Porto Grande (Amapá) é a grande estrela do município. O governo amapaense tornou em 2024 o cultivo da fruta na cidade como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado.

O abacaxi de Porto Grande conquistou, em 2024, o registro de IG (Indicação Geográfica). O reconhecimento é concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a produtos ou serviços associados a determinada origem geográfica, conforme os requisitos legais. O Sebrae atua como parceiro dos produtores na estruturação, capacitação e apoio à obtenção e gestão desse registro.

A IG, porém, não significa que todos os produtores estejam automaticamente autorizados a utilizar a indicação geográfica. É preciso cumprir as regras estabelecidas no caderno de especificações técnicas. Eis a íntegra do documento (419 kB – PDF).

Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande e agricultor no município há mais de 15 anos, disse que o Sebrae foi o principal parceiro no processo de obtenção da IG. O registro do abacaxi de Porto Grande, na modalidade Indicação de Procedência, foi o 1º concedido a um produto do Amapá.

Segundo Suel, o reconhecimento contribuiu para a valorização da fruta. O produtor afirmou que antes vendia cada unidade por R$ 2,50 e depois passou a comercializá-la por R$ 5. O preço, portanto, dobrou.

A Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande foi fundada em 2022 com o objetivo de obter o reconhecimento de Indicação Geográfica para a fruta cultivada no município. Atualmente, segundo Suel, há 32 produtores de abacaxi na cidade.

“A nossa variedade de abacaxi é o pérola, que é muito doce. O que faz nosso abacaxi ser diferente é o sol que tem no Amapá. O abacaxi gosta de muito sol, o que interfere na qualidade e faz o produto ficar mais doce. Nós temos uma localização estratégica para o cultivo da fruta. Estamos no meio do mundo”, declarou Suel ao Poder360.

Assista (9min20s):

O produtor disse que a associação realizou, em 2025, um levantamento que estimou a produção de 5 milhões de abacaxis no município em 2026. Suel prevê colher cerca de 120 mil frutas neste ano, mas afirmou que a quantidade varia entre os agricultores. Segundo ele, alguns chegam a colher 600 mil unidades, enquanto outros produzem 4.000.

Suel, porém, disse que 5 milhões de abacaxis em 1 ano é uma quantidade muito grande para um município do tamanho de Porto Grande, que tem cerca de 18.000 habitantes. A solução encontrada pela associação foi produzir itens como geleias de abacaxi, melaço da casca do abacaxi e abacaxi desidratado para evitar o desperdício. 

Questionado se não é possível exportar as frutas, Suel disse que a associação realiza estudos para isso, mas que a questão logística dificulta porque o abacaxi de Porto Grande dura no máximo 25 dias. “Se for exportar para muito longe ele não vai chegar com uma boa qualidade”, declarou.


O Poder360 publica uma série de reportagens especiais sobre as oportunidades que as expectativas de exploração de petróleo na Margem Equatorial já começam a movimentar no Amapá. Os textos mostram como empresas e empreendedores locais se preparam para um novo ciclo de desenvolvimento econômico no Estado, impulsionado pela perspectiva de avanço da atividade petrolífera na região. Leia aqui as reportagens.


A jornalista Bruna Rossi viajou ao Oiapoque a convite do Sebrae.