O secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, não deu uma data de quando o problema da falta de água aos indígenas de Dourados (MS) será sanado.

Durante agenda em Campo Grande (MS), na segunda-feira (31.mar.25), ao ser questionado pelo MS Notícias sobre uma possível data para o problema da falta de água ser corrigido, Eloy foi evasivo: “Nós já temos projetos aprovados e já estão em execução. Além da própria destinação da bancada federal de 53 milhões, o governo do estado via Itaipu e um projeto capitaneado pelo Ministério. Ao todo, serão mais de R$ 150 milhões para resolver o problema da água nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, afirmou ele na saída da cerimônia de Oga Porã, do Minha Casa, Minha Vida, realizada na sede da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul.

Ainda em resposta à reportagem, o Secretário Eloy afirmou que o Ministério dos Povos Indígenas e a gestão de Eduardo Riedel estão atuando de maneira transversal. “É esse novo tempo que nós estamos trabalhando juntos, independente de ideologia política, para buscar o bem-estar das comunidades indígenas. Essa é a marca da nossa gestão”, completou, deixando de responder objetivamente à pergunta do repórter.

‘SANESUL SENTOU NO CERTAME’

Foto: Reprodução/ SeinfraSó falta a Sanesul fazer a sua parte | Foto: Reprodução/Seinfra

Chefiada por Renato Marcílio, a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) tem R$ 60 milhões – sendo R$ 45 milhões da Itaipu Binacional e R$ 15 milhões do governo estadual –, no entanto, passados 5 meses desde o anúncio do recurso, a licitação que levaria água às aldeias douradenses não foi aberta.

O convênio foi assinado em novembro de 2024, por meio do programa MS Água para Todos. “Assinou contrato lá atrás, claro que é um processo, uma licitação que demora, mas a Sanesul vai executar essa questão dos R$ 60 milhões, que é um grande investimento, só para você ter uma ideia, isso significa a metade do investimento que a Sanesul vai fazer no estado todo desse recurso, R$ 60 milhões, só na aldeia ali no Cone Sul”, explicou o deputado Vander Loubet (PT).

Mesmo com recursos alocados, e apesar da secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, ter afirmado que a Sanesul já está em fase final para abertura da licitação, para o deputado, o processo tem urgência. “Eu até cobrei dela [Viviane Luiza], da gente ir junto lá no presidente da Sanesul para, de fato, pressionar ele, porque o Enio Verri, que é o presidente da Itaipu, tem me cobrado isso”, revelou Loubet.

Liderança do governo federal em MS, Loubet disse que é preciso que haja previsibilidade para esse programa, que trata de levar o básico, água às pessoas. “Na semana que vem nós vamos ir para cima dos responsáveis para priorizar o empenho de R$ 60 milhões para a gente acelerar, que é a questão da água para atender as aldeias de Dourados. Isso nós vamos acelerar até porque existe uma prioridade, o presidente Lula, um compromisso do presidente Lula de liberar o mais rápido”, garantiu o deputado.

Foto: Tero QueirozDeputado junto a representantes indígenas de MS | Foto: Tero Queiroz

FALTA ÁGUA HÁ 30 ANOS

A escassez de água potável na Reserva Indígena de Dourados, composta pelas aldeias Jaguapiru e Bororó, tem sido uma problemática persistente, afetando cerca de 18 mil indígenas. Desde a década de 1990, a diminuição dos mananciais e o crescimento populacional contribuíram para a intensificação da crise hídrica na região.

SEM ÁGUA E SEM DIREITO A PROTESTO

Em novembro de 2024, a falta de água levou membros das comunidades Terena, Guarani e Kaiowá a protestarem na Rodovia MS-156. O protesto resultou em confrontos com a polícia, deixando indígenas feridos e gerando detenções.

ATRIZ FEZ APELO

Recentemente, inclusive, a atriz Dandara Queiroz, ao visitar a região, relatou a situação crítica dos povos indígenas, destacando temperaturas elevadas e a ausência de água potável, o que a levou a distribuir água entre os moradores.

Imagem: Reprodução/ Instagram Reprodução/ Instagram