Brasil deve discutir minerais críticos com outros países, diz Ibram

Pablo Cesário, presidente interino da entidade de mineração, afirma que preços mínimos favorecem investimentos

O presidente interino do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Pablo Cesário disse nesta 4ª feira (18.mar.2026) ao Poder360 que é necessário o governo brasileiro discutir com outros países a cooperação para a exploração de minerais críticos.

Esses minerais, incluindo as terras raras, são essenciais para a produção de equipamentos eletrônicos e baterias. Terão demanda crescente nos próximos anos. O Brasil tem a 2ª maior reserva global de terras raras. A 1ª é a da China.

O governo dos Estados Unidos busca maior acesso às reservas brasileiras de minerais críticos. O encarregado de Negócios do país no Brasil, Gabriel Escobar, disse nesta 4ª feira (18.mar) que aguarda “uma resposta formal” sobre proposta de acordo para a exploração de terras raras e minerais críticos que o governo dos EUA mandou para o governo brasileiro.

Os EUA têm acordos sobre o tema com Canadá e Austrália. A declaração de Escobar foi durante a assinatura de um memorando de entendimento do governo dos EUA e do governo de Goiás sobre terras raras em São Paulo.

A Embaixada dos EUA e a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) realizaram o Brazil-U.S. Forum on Critical Minerals (Forum Brasil-EUA sobre Minerais Críticos) em São Paulo nesta 4ª feira (18.mar). Escobar e Cesário, do Ibram, participaram do evento.

PREÇOS MÍNIMOS

Cesário disse que não conhece o conteúdo da proposta de acordo apresentada pelo governo dos EUA ao do Brasil. O acordo firmado pelos EUA com a Austrália, afirmou, estabelece preços mínimos a serem bancados pelos governos dos 2 países para a compra dos minerais. O mecanismo ajuda a reduzir riscos econômicos na falta de um mercado global estabelecido para minerais críticos.

Preços mínimos são importantes para a previsibilidade necessária a esses investimentos de longo prazo”, afirmou Cesário. Ele afirmou que o governo brasileiro precisa discutir o tema também com outros governos, incluindo o da China e os de países europeus.

Temos capacidade na mineração do Brasil, com as melhores empresas do mundo”, afirmou Cesário. O desafio, disse, está em alcançar escala para a exploração de terras raras e outros minerais críticos.

O governo dos EUA declarou no Forum sobre sobre minerais críticos que identificou 50 projetos no Brasil com potencial de investimentos. Agências do governo norte-americano têm US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões) disponíveis para projetos desse tipo.