Cientista defende ‘Partícula de Deus’ que está ajudando tetraplégico de MS a recuperar movimentos

Com resultados positivos até em Mato Grosso do Sul, a cientista Tatiana Sampaio reagiu, nessa segunda-feira (23), a críticas que põem em dúvida os resultados do uso de polilaminina, molécula que, segundo pesquisas realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é capaz de restabelecer conexões nervosas no organismo e reparar paralisias por lesão na medula.

De acordo com Tatiana, as críticas e dúvidas a respeito dos resultados dos estudos clínicos não são pertinentes, uma vez que o resultado final é “altamente técnico”. A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

“Esse resultado é muito técnico, então a divulgação desse resultado pode trazer expectativas falsas nas pessoas. Eu aceito discutir essa questão, mas o resultado técnico não é passível de questionamento. Alguém que diga que não são confiáveis os dados de 75%, acho que essa pessoa deveria falar comigo para que ela me apresenta qual a literatura que ela está se baseando. Não tenho dúvidas de que fizemos uma avaliação correta dos dados”, respondeu Tatiana.

Após 30 anos de pesquisa, a pesquisadora afirma que, dos oito pacientes que tinham lesão medular completa, 75% apresentaram algum grau de recuperação de função motora.

“O resultado técnico não é passível de questionamento. Eu sei a literatura que estou me baseando. Eu não tenho dúvida de que nós fizemos uma avaliação correta que nós tivemos”, explica a especialista.

Aplicação em MS

Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, foi o paciente sul-mato-grossense escolhido para participar dos tratamentos experimentais no Brasil.

O rapaz ficou tetraplégico em outubro de 2025, quando foi atingido por um disparo de arma de fogo. Luiz se tornou a primeira pessoa em Mato Grosso do Sul e a 13ª no mundo a receber a substância experimental.

O procedimento foi realizado no dia 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande, após decisão judicial que garantiu o acesso à terapia.

Em relato divulgado nas redes sociais, após o procedimento, Luiz Otávio afirmou que começou a sentir sensações na perna e conseguiu mover a ponta de um dedo da mão, algo que não acontecia desde a lesão.

Ele também relatou espasmos involuntários mais intensos e a percepção, pela primeira vez, de movimento nervoso na perna comandado pela mente. Esses sinais sugerem que a substância pode estar influenciando a atividade nervosa, ainda que não represente uma cura definitiva.

“Durante os três meses em que fiquei hospitalizado no Hospital Militar de Campo Grande, eu tinha muitos espasmos involuntários. Após receber a proteína, esses espasmos ficaram mais fortes… e consegui ver, pela primeira vez, o nervo da minha perna se movimentar, sendo eu, sendo a minha mente que estava querendo fazer esse movimento”, disse Luiz Otávio.