
Usinas de dessalinização são alvo; mais de 1/4 delas estão na região e abastecem países como Kuwait, Omã e Arábia Saudita
Os ataques entre Estados Unidos-Israel e Irã miram usinas de dessalinização no Oriente Médio. Os locais abastecem países da região, onde o recurso hídrico é escasso. Sabotagens às usinas ameaçam o abastecimento na região.
O Irã acusou os EUA de atacarem usinas no Golfo de Omã, nesse sábado (7.mar.2026). Países da região afirmam que ataques iranianos causam danos a estações de dessalinização. É o caso do ataque ao porto de Jebel Ali, em Dubai, a cerca de 19 quilômetros de uma das maiores usinas de dessalinização do mundo.
Foram relatados danos no complexo de energia e água Fujairah F1, nos Emirados Árabes Unidos; na usina de dessalinização Doha West, no Kuwait; e em usinas no Bahrein.
USINAS DE ABASTECIMENTO
Mais de 1/4 das estações de dessalinização do mundo estão no Oriente Médio. Muitos desses locais estão integrados a centrais elétricas. Ataques à infraestrutura elétrica podem prejudicar a produção de água.
Dentre os países com grande dependência de água dessalinizada estão:
- Kuwait – 90% da sua água potável provém da dessalinização;
- Omã – 86% do fornecimento de água depende das usinas;
- Arábia Saudita – 70% da água consumida é dessalinizada. A capital, Riad, teria que ser evacuada em uma semana caso a usina de Jubail sofresse danos graves;
- Emirados Árabes Unidos – tem infraestruturas essenciais, como a usina de Jebel Ali, em Dubai, e o complexo Fujairah F1;
- Bahrein e Catar – países menores que dependem do sistema e possuem menos reservas de energia para lidar com interrupções no fornecimento;
- Irã – embora ainda obtenha a maior parte de sua água de rios e aquíferos, opera usinas em locais como a ilha de Qeshm e planeja expandir a rede de dessalinização para enfrentar secas extremas.
SECA NO ORIENTE MÉDIO
O Oriente Médio enfrenta crise hídrica intensificada pelas mudanças climáticas. Em 2025, o Irã viveu a pior seca em 6 décadas. Nenhuma chuva foi registrada por 2 meses em 15 das 31 províncias.
A dessalinização consome muita energia. O impacto potencial pode chegar de 400 milhões a 800 milhões de toneladas de CO2 por ano até 2040. Os dados constam em relatório do Journal of Energy Resources Technology. O direito humanitário internacional, que inclui as Convenções de Genebra, proíbe ataques a infraestruturas civis indispensáveis à sobrevivência.





























