
Dourados deve decretar situação de emergência nos próximos dias por causa do avanço dos casos de chikungunya tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena. A recomendação foi feita por Rodrigo Stabeli, do comando-geral da Força Nacional do Sistema único de Saúde (SUS), que chegou nesta quarta-feira ao município acompanhado de equipe técnica para reforçar a força-tarefa organizada pela Secretaria Municipal de Saúde no enfrentamento à doença.
Segundo ele, a medida é considerada estratégica para ampliar a capacidade de resposta do município diante do cenário epidemiológico, que tende a se agravar nas próximas semanas. Stabeli está em Dourados acompanhado da gerente técnica estadual dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica, Danielle Galindo Martins Tebet, e cumpre agenda na Reserva Indígena, além de reuniões com equipes da Secretaria Municipal de Saúde e da Sesai, órgão responsável pela saúde indígena e vinculado ao Ministério da Saúde.
Em entrevista ao Dourados Agora, Rodrigo Stabeli afirmou que o decreto de emergência pode facilitar o acesso a recursos para assistência em saúde e para ações mais amplas de combate ao mosquito transmissor. “Com isso o município poderá receber recurso tanto para a área da assistência à saúde bem como no enfrentamento para eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, com um serviço de limpeza geral na Reserva Indígena, onde estão os maiores focos, porque temos que eliminar os criadouros do mosquito”, afirmou.
Ele também alertou para a necessidade de conscientização da população, destacando que a vacina contra a dengue não protege contra a chikungunya. “Muitas pessoas tomaram a vacina da dengue, porém ela não combate a chikungunya, doença que é bem mais agressiva, com problemas articulares e que pode se arrastar por meses. Essa é uma campanha que tem que envolver toda a Grande Dourados, cidades da região, todos têm que estar atentos”, disse.
O cenário em Dourados é considerado preocupante. Conforme o último boletim da Vigilância Epidemiológica, divulgado na segunda-feira, a Reserva Indígena soma 407 casos notificados, com 202 confirmações, 181 em investigação, 24 descartados e quatro mortes confirmadas. Já na área urbana, foram registradas 912 notificações, sendo 379 casos confirmados, 383 exames aguardando resultado e 150 descartados. Esse cenário já alterou nesses últimos três dias.
As quatro mortes confirmadas em Dourados ocorreram na Reserva Indígena. Além disso, uma pessoa da aldeia de Douradina, município vizinho, também morreu em decorrência da doença.
Equipes da Secretaria Municipal de Saúde passaram a mapear os atendimentos realizados nos postos de saúde da cidade. No bairro Jóquei Clube, quase metade dos atendimentos entre ontem e hoje foi de pessoas com sinais compatíveis com a doença. Na Reserva Indígena, esse índice chega a 55% dos pacientes atendidos, o que reforça o alerta das autoridades sanitárias sobre a dimensão da epidemia.
A doença
A chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é perigosa por causar dores articulares intensas e incapacitantes que podem durar meses ou anos. Embora rara, pode levar a complicações neurológicas, cardíacas e até a morte. A febre alta e súbita é o sinal mais comum, exigindo hidratação e repouso.





























