

Há algum tempo, a Volkswagen falou que a plataforma Trinity será fundamental para negócios envolvendo software e serviços, da mesma forma que hoje vemos a BMW ativar funções do carro e cobrar por elas.
Na Tesla, a coisa não difere, mas Elon Musk está forçando o setor nessa direção com agressividade, tanto em ações quanto em palavras.
Como se sabe, a Tesla vem sendo criticada há alguns meses por estar baixando os preços de seus carros elétricos que, como iPhones, são desejados em todo o mundo.
Sua política de descontos tem desagradado vários fabricantes e dividindo-os, com uma ala aderindo à redução de preços dos elétricos e outra resistindo em cortar preços.
Musk, no entanto, não parece preocupado com isso e apontou que pode reduzir ainda mais os preços da Tesla e isso leva a duas coisas.
A primeira é que a Tesla avança em sua ambição de juntar VW e Toyota em vendas no ano de 2030.
Segundo, que isso pode levar alguns fabricantes ao vermelho de duas formas, aos que decidirem descer a tabela sob risco de prejuízo ou aqueles que resistirem e ver suas vendas despencarem.
Ou você faz pouco e ganha mais, ou faz muito e ganha pouco. Para Musk, no entanto, a receita pode chegar a não ganhar nada com carros.
Ao ser questionado por acionistas quanto à meta de margem de 20% na Tesla, Musk apontou que a montadora pode até vender seus carros sem qualquer lucro na entrega.
Isso realmente congelaria o sangue de qualquer investidor, mas Musk apontou de onde sairia o lucro: software.
Elon apontou que as rivais terceirizaram o software e hoje correm atrás do prejuízo, enquanto a Tesla investiu em programas desde o início e obtém a maioria de seus 19% de margem, com ganho de US$ 7.600 por carro, via funcionalidades como o FSD, que custa US$ 15.000.
E se observamos bem, no configurador da Tesla não existem vários opcionais que elevariam o preço do carro, sendo o FSD o mais desejado.
A venda de funcionalidades de forma permanente ou temporária, talvez mesmo individual (pessoa), é o caminho que a Tesla e outras marcas querem seguir.
Imagine um Model 3 com ronco de uma das naves de Star Wars ou com um assistente pessoal (IA) na voz do HAL 9000, por exemplo. Quem não iria querer isso?
De serviços de recarga ao que a imaginação (e a digitalização) poderá colocar num carro, softwares de todo tipo serão explorados (e cobrados) ao máximo pelas marcas, mesmo que elas não ganhem nada por carro feito ou nem mesmo os venda de fato, como a GM chocou ao propor em 2019.
[Fonte: FCE]

Acesse o nosso exclusivo Canal do Telegram!


























