Faturamento de bets e jogos online chega a R$ 17,4 bilhões no 1º semestre de 2025

O mercado regulado de apostas e jogos online no Brasil encerrou o primeiro semestre de 2025 com R$ 17,4 bilhões de faturamento (GGR) e 17,7 milhões de apostadores, segundo balanço da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

O perfil majoritário é masculino, e a média de gasto ficou em torno de R$164 por mês por usuário, o que ajuda a dimensionar o tamanho real do setor no país. Os dados vêm do fluxo diário de informações que as operadoras autorizadas remetem ao governo por meio do SIGAP. A SPA detalha que o SIGAP é a espinha dorsal do monitoramento.

Por ali passam depósitos, apostas, prêmios e demais variáveis que embasam a regulação e a fiscalização. A adoção do sistema, desenvolvida em parceria com o Serpro, trouxe um salto de transparência e padronização, fortalecendo o controle sobre um segmento cuja base legal foi estabelecida com a Lei 14.790/2023.

Quem joga no Brasil e como: Perfil, ticket e hábitos

Os dados do semestre indicam penetração ampla, com 17,7 milhões de contas ativas e concentração entre adultos jovens, o que se reflete no ticket médio mensal de aproximadamente R$164.

Ainda que a presença feminina esteja em crescimento, a audiência permanece majoritariamente masculina, padrão que a SPA já vinha apontando ao qualificar o mercado. Esses números ajudam a explicar a difusão de produtos e métodos de pagamento na jornada do apostador, do cartão e Pix às carteiras digitais.

Mesmo que as regras atuais limite as operações em plataformas de jogo e apostas ao popular Pix, transferências bancárias, cartões de débito e pré-pagos, cresce a curiosidade sobre como e quando seria possível utilizar outros métodos de pagamento comumente adotados pelos brasileiros.

É o caso das criptomoedas, que continuam ganhando mais e mais adeptos no país. Os cassinos de criptomoedas, em alta no exterior, encontram limitações no Brasil dentro do mercado regulado. As extensas verificações de identidades exigidas pelo regulador vai de encontro com o anonimato buscado pelos interessados em cripto.

Isso porque, independentemente do meio de pagamento, a exploração de apostas de quota fixa e de jogos online exige autorização prévia da SPA e o cumprimento das regras de KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e jogo responsável.

O governo ainda estuda abrir outras pontas nesse setor, como o jogo presencial, o que dá esperanças em relação a ampliação também dos métodos de pagamentos permitidos nas plataformas de jogo online.

Regras do jogo: Lei, portarias e deveres das operadoras

O marco jurídico atual se assenta na Lei 14.790/2023, que disciplinou a modalidade lotérica de apostas de quota fixa, e em portarias infralegais da SPA que operacionalizam o setor. A Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 reúne outras diretrizes, desenhando um padrão mínimo de proteção ao consumidor que as empresas devem demonstrar na autorização e no dia a dia das plataformas.

A própria SPA disponibiliza áreas de referência para o público e para o mercado, explicando a modalidade de apostas de quota fixa e a necessidade de autorização antes do início da operação comercial. O conjunto de regras, que inclui outras portarias, mirou reduzir assimetrias, padronizar relatórios e criar uma base estatística oficialmente reconhecida.

No bolso do apostador, a lei definiu que prêmios líquidos obtidos em apostas de quota fixa são tributados pelo IRPF à alíquota de 15%, conforme a Lei 14.790/2023 e regulamentação da Receita Federal publicada em 2024.

Para o setor, incidem tributos sobre a GGR e demais obrigações típicas da atividade empresarial no Brasil. Para o jogador, a mensagem é que ganhos devem ser declarados e a retenção segue as regras específicas do segmento. Os dados fiscais do semestre também incluiu repasses setoriais previstos em lei.

Com base nos dados oficiais, as bets destinaram R$ 773,9 milhões a entidades esportivas e órgãos públicos no 1º semestre de 2025, cifra equivalente a 4,4% da receita bruta (métrica setorial usual para comparar base de cálculo e destinações legais). O número ajuda a dimensionar o impacto distributivo da regulação. 

SIGAP: Como o governo monitora o mercado em tempo quase real

Do ponto de vista técnico, o SIGAP concentra o processo de autorização, além de monitorar e fiscalizar o envio de dados operacionais que sustentam as estatísticas oficiais. Documentação pública do sistema e comunicações institucionais explicam que as empresas autorizadas reportam diariamente as transações.

Permitindo, assim, o controle de depósitos, apostas, prêmios e destinações legais. O portal mantém área de consulta pública de processos, reforçando a transparência sobre solicitações e atos formais.

A consequência é que, ao apostar em plataformas autorizadas, o jogador entra no ecossistema que o Estado acompanha, algo que melhora a rastreabilidade financeira e a capacidade de resolver disputas sob regras conhecidas.

Com a base legal e tecnológica assentada, o debate público mira aperfeiçoamentos. Entre eles estão ajustes de publicidade, expansão de boas práticas de jogo responsável e estabelecimento de padrões de dados para reduzir assimetria informacional entre operadoras, regulador e sociedade.