Greve do transporte coletivo entra no quarto dia e já é a maior da história de Campo Grande

A paralisação dos ônibus em Campo Grande chegou ao quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (17) e já é considerada a maior greve do transporte coletivo registrada nos últimos 31 anos. O movimento atual supera a última paralisação total, ocorrida em outubro de 1994, que durou três dias e marcou um dos períodos mais críticos da mobilidade urbana na Capital.

Assim como ocorreu na década de 1990, a greve de 2025 também provocou forte impacto na rotina da cidade, com redução da circulação de pessoas, comércio esvaziado no Centro e prejuízos acumulados para lojistas. A principal diferença entre os dois episódios é que, desta vez, os trabalhadores decidiram manter a paralisação mesmo diante de ordem judicial para retorno imediato ao trabalho, condicionando a volta apenas ao pagamento integral dos salários atrasados.

Nos últimos anos, a categoria havia recorrido apenas a paralisações pontuais, com duração de um dia, como ocorreu em 2022 e no início de 2025. Em ambas as situações, os movimentos funcionaram como forma de protesto e alerta, sem aviso prévio de suspensão total da frota.

Com a greve prolongada, a população tem buscado alternativas para se deslocar, como aplicativos de transporte, caronas e deslocamentos a pé. Apesar dos transtornos, parte dos usuários demonstra apoio à mobilização dos funcionários do Consórcio Guaicurus, reconhecendo as reivindicações da categoria.

O histórico do movimento de 1994 revela um cenário semelhante de tensão. Naquele período, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) cobrava melhorias nas condições de trabalho, o fim das chamadas “dobras” de jornada e reajuste salarial. As empresas responsáveis pelo serviço, que anos depois dariam origem ao atual consórcio, não chegaram a um acordo com os trabalhadores.

O contexto econômico também pesava. 1994 marcou o início do Plano Real, e a categoria temia perdas salariais com a nova moeda. Após assembleia, os trabalhadores aprovaram o movimento paredista, com publicação de edital de greve em jornal impresso no dia 15 de outubro daquele ano.

Cinco dias depois, os empresários foram oficialmente comunicados de que a paralisação teria início em 25 de outubro. Mesmo após tentativa de barrar o movimento na Justiça do Trabalho, a greve foi deflagrada. A população foi surpreendida, já que a data não havia sido divulgada publicamente.

Na ocasião, o sindicato orientou os motoristas a adotarem uma estratégia incomum: iniciar o trajeto normalmente e interromper o percurso em pontos aleatórios da cidade, paralisando os ônibus ao longo do itinerário e ampliando o impacto do movimento.