
A Prefeitura de Dourados oficializou o primeiro e decisivo passo para que o município passe a contar com atendimento oncológico de alta complexidade no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados. O compromisso foi firmado durante reunião entre o prefeito Marçal Filho, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, e a direção do hospital, viabilizando a implantação de um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).
O encontro reuniu ainda o superintendente do HU/UFGD, Hermeto Macario Amin Paschoalick, a vice-reitora e reitora em exercício da Universidade Federal da Grande Dourados, Cláudia Gonçalves de Lima, e a gerente-administrativa do hospital, Danielly Vieira Capoano. Na ocasião, foi formalizada a manifestação de interesse do município como gestor pleno do SUS, condição essencial para o avanço do projeto.
Segundo o prefeito Marçal Filho, a iniciativa representa um divisor de águas para a saúde pública regional. “Como gestor pleno do SUS, não poderia deixar de apoiar um projeto que vai transformar Dourados em referência estadual no diagnóstico e no tratamento do câncer. O paciente terá atendimento completo, do diagnóstico à cura, sem precisar sair do Estado”, afirmou.
Estrutura planejada e cronograma
De acordo com o superintendente Hermeto Macario, a implantação do Cacon já integra o planejamento institucional da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, da UFGD e do Ministério da Saúde. A expectativa é que a licitação do projeto técnico e da obra seja lançada ainda no primeiro semestre deste ano. O prazo estimado para conclusão da nova estrutura é de até 36 meses.
O planejamento prevê a construção de um novo bloco anexo ao hospital, com cerca de 60 leitos de internação, laboratório de anatomia patológica, ampliação dos centros cirúrgicos e toda a infraestrutura necessária para atendimento oncológico integral. O projeto faz parte do Plano Diretor Estratégico (PDE 2024–2028) do HU/UFGD e está alinhado à estratégia nacional da Ebserh de ampliar e qualificar a rede pública de cuidados oncológicos.
Atendimento completo no mesmo local
Quando estiver em funcionamento, o Cacon permitirá que o paciente encontre, em um único ambiente, todos os serviços necessários ao tratamento do câncer, incluindo diagnóstico, cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia, oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica, além de cuidados de suporte, como controle da dor, reabilitação e cuidados paliativos.
Para o prefeito, isso representa o fim do tratamento fracionado. “Hoje, muitos pacientes precisam viajar longas distâncias em busca de atendimento. Com o Cacon no HU/UFGD, toda essa jornada será feita em Dourados, com mais dignidade, segurança e qualidade”, destacou.
Tecnologia, ensino e pesquisa
A reitora em exercício da UFGD, Cláudia Gonçalves de Lima, ressaltou que um dos grandes diferenciais do novo centro será a tecnologia. Segundo ela, o projeto prevê a aquisição de equipamentos modernos, capazes de reduzir significativamente o número de sessões de radioterapia, tornando o tratamento mais eficaz e menos desgastante para o paciente.
Além da assistência, a implantação do Cacon terá impacto direto no ensino e na pesquisa. Como hospital universitário, o HU/UFGD ampliará os cenários de formação para cursos de graduação, residências médicas e multiprofissionais, com perspectiva de criação de residências em oncologia clínica, cirúrgica e multiprofissional. No campo científico, o serviço fortalecerá o Centro de Pesquisa Clínica do hospital, possibilitando estudos e protocolos inovadores no âmbito do SUS.
Impacto regional
Dados epidemiológicos reforçam a importância do projeto. Entre 2019 e 2024, quase metade dos pacientes oncológicos da macrorregião Cone Sul precisou buscar atendimento fora de Mato Grosso do Sul, principalmente nos estados do Paraná e São Paulo. Com a implantação do Cacon em Dourados, a expectativa é reduzir drasticamente esse fluxo interestadual, garantindo atendimento próximo de casa e fortalecendo a rede pública de saúde no Estado.
Para a gerente-administrativa do HU/UFGD, Danielly Capoano, o apoio do município foi fundamental. “A formalização do interesse do gestor do SUS era um passo indispensável para o avanço do projeto. Agora, seguimos para as próximas etapas de aprovação institucional e viabilização orçamentária”, concluiu.





























