
O professor e assistente social, Josué Lemes de Oliveira, 46 anos, denunciou as condições de atendimento no Hospital Militar de Campo Grande. Os problemas identificados pelo professor denunciam desde as condições físicas até o tratamento por parte dos funcionários.
De acordo com Josué, ele começou a notar os problemas no hospital enquanto acompanhava a sua sogra, 67 anos, para realizar as sessões de hemodiálise na unidade. Uma das situações que mais indignou o professor foi a falta de triagem entre os pacientes que aguardam atendimento. “A minha sogra foi realizar a hemodiálise e eu encontrei com ela na recepção da emergência, e perguntei se ela ainda não tinha sido atendida ou passado pela triagem, ela disse que não. Eles não fazem triagem, e quando eu questionei o soldado da recepção, ele falou ‘se quiser, entra e procura um médico’, mas é obrigatório todo hospital ter as fitas de identificação de prioridade”.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) determina na Resolução CFM nº 2.077/14 a obrigatoriedade da implementação de um sistema de classificação de pacientes de acordo com a gravidade do quadro de saúde que apresentam em Serviços Hospitalares de Urgência e Emergência. Além disso, a resolução estabelece também que a triagem deve ser feita por profissionais médicos ou enfermeiros capacitados, e determina também que o paciente classificado não pode ser encaminhado ou liberado a outro local sem ser consultado por um médico.
Segundo Josué, esse não é o único problema enfrentado dentro do hospital. Conforme consta na denúncia encaminhada à ouvidoria do Ministério Público Militar por Josué nesta quarta-feira (4), por falta de identificação por parte do Hospital Militar, a empresa terceirizada responsável pela hemodiálise dos pacientes realizou o procedimento errado mesmo sendo alertada pela paciente de que o acesso no braço esquerdo não poderia ser utilizado. O erro teria acontecido na última segunda-feira (2).
“Eu avisei a equipe médica de que não poderia mexer no braço esquerdo da minha sogra por causa da fístula arteriovenosa [ligação direta entre artéria e veia] feita recentemente. Mas ninguém colocou nenhuma identificação ou observação, e aí quando a equipe terceirizada chegou eu avisei novamente, a minha sogra também falou. Eles praticamente obrigaram ela a fazer a hemodiálise pela fistula do braço esquerdo, mas estava recente e foi sangue para todo lado”, relembra Josué.
O professor apresentou também ao Ministério Público Militar outra denúncia em relação a uma marmita com um pedaço de madeira dentro, e falta de insumos básicos como copos descartáveis para que os acompanhantes possam tomar água. Além disso, as instalações do hospital contam com paredes descascando e com infiltrações. Segundo Josué, o apoio de mão de dentro do banheiro que a sua sogra utilizava estava solto, e o registro com um buraco e concreto exposto.

Por meio de nota, o Hospital Militar de Campo Grande detalhou que está acompanhando a situação. Confira:
“O Hospital Militar de Área de Campo Grande informa, por meio da 9ª Região Militar, que está apurando a situação e que mais informações serão disponibilizadas em breve”.
*matéria atualizada às 12h para adicionar a nota do hospital





























