Justiça nega habeas corpus a prefeito afastado de Terenos preso em operação

A Justiça negou o habeas corpus do prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), preso desde o dia 9 de setembro durante a Operação Spotless, que apura corrupção e desvios de recursos públicos. A decisão foi proferida pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros, relator do agravo interno criminal.

O pedido buscava a liberdade provisória do político para que ele pudesse concentrar-se em sua defesa. No entanto, o magistrado indeferiu a liminar e determinou o envio do processo à Procuradoria-Geral de Justiça para manifestação dentro do prazo regimental. As decisões foram publicadas no Diário da Justiça.

De acordo com as investigações, Budke teria recebido R$ 646 mil em propina entre 2021 e 2024, incluindo R$ 255 mil ligados à construção de um bloco da Escola Jamic. O relatório apontou ainda evolução patrimonial de 318% no período: de R$ 776,2 mil em 2020 para R$ 2,46 milhões em 2024, valor considerado incompatível com os rendimentos do cargo.

Segundo o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), parte do dinheiro teria sido usado para aquisição de imóveis e participação em empresas. Um exemplo é a Resilix Ltda., cuja cota declarada foi de R$ 1 mil, mas o valor real atingiu R$ 745,9 mil. Também foram identificadas discrepâncias entre valores declarados e de mercado de propriedades, como a Fazenda Ipê Amarelo, em Aquidauana.

Prisões e desdobramentos

Na semana retrasada, a operação prendeu 16 pessoas, entre empresários, empreiteiros e policiais, suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de recursos. Apenas a empresária Nádia Mendonça Lopes obteve prisão domiciliar para cuidar dos filhos pequenos. Os demais seguem detidos à disposição da Justiça.

Defesa

Em nota, o advogado Julicezar Barbosa, responsável pela defesa de Budke, afirmou que o prefeito foi “surpreendido” pela operação. “Henrique sempre pautou sua vida em honestidade e transparência. Pediu afastamento do cargo para poder se concentrar em sua defesa e aguarda a evolução das apurações, depositando na Justiça a confiança de que a verdade provará sua inocência”, diz o comunicado.