Lula diz que Brasil agiu com cautela diante de tarifaço dos EUA e defende relação “respeitosa” com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22), em Nova Déli, na Índia, que o Brasil adotou postura “cautelosa” diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A declaração ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as medidas tarifárias estabelecidas pelo presidente Donald Trump.

Segundo Lula, as decisões brasileiras foram tomadas com prudência e equilíbrio. Ele ressaltou que parte das medidas negativas já havia sido revista pelo próprio governo americano e que, posteriormente, a Justiça dos EUA contrariou a tese defendida por Trump.

Apesar do comentário, o presidente evitou avaliar o mérito da decisão judicial estrangeira. “Não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país”, afirmou, limitando-se a destacar a importância do diálogo diplomático.

Lula afirmou que pretende discutir uma pauta ampla com Trump, incluindo comércio, cooperação universitária, situação de brasileiros que vivem nos Estados Unidos e outros temas estratégicos. O encontro entre os dois está previsto para março.

O presidente defendeu uma relação “civilizada e respeitosa” entre os países e afirmou que o Brasil não deseja uma nova guerra fria nem pretende privilegiar alianças exclusivas. “Queremos relações iguais com todos os países e tratamento igualitário”, declarou.

Polícia Federal em agendas internacionais

Durante a viagem à Índia, Lula anunciou que membros da cúpula da Polícia Federal passarão a integrar comitiva presidencial em compromissos internacionais. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, acompanhou a agenda no exterior.

Segundo o presidente, a medida visa fortalecer acordos de cooperação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, considerados fenômenos de atuação transnacional. Para o encontro com Trump, Lula indicou que também pretende levar representantes da Receita Federal, além dos ministros da Fazenda e da Justiça.

Minerais críticos entram na pauta

O presidente destacou que as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos somam mais de dois séculos e classificou como “anômala” a forma como as tarifas foram anunciadas, mencionando que a decisão teria sido comunicada por meio de rede social.

Entre os temas estratégicos, Lula afirmou que a exploração de minerais críticos e terras raras estará na mesa de negociação, mas condicionou qualquer acordo à agregação de valor no Brasil. Segundo ele, o país não deve repetir o modelo histórico de exportar matéria-prima sem processamento industrial.

A declaração reforça a intenção do governo de vincular recursos estratégicos a políticas de desenvolvimento industrial e tecnológico interno.