Maria saiu da UTI direto para cuidar do marido infartado e casal segue sem assistência

Sem condições de cuidar do próprio marido, a dona de casa Maria Jorgina Marcelino, de 69 anos, não sabe mais o que fazer para melhorar a sua situação. 

De acordo com Maria, o seu marido ficou acamado depois de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e um infarto. Porém, um dia antes do episódio, quem estava internada na UTI era a própria Maria, também por causa de um AVC. “Eu tive um AVC há cerca de dois, três anos, e ele tornou a repetir há um mês atrás, e eu fiquei na UTI 14 dias internada. Eu tive alta e aí ele teve o AVC e infarto, eu tinha acabado de chegar em casa, só posei e no outro dia de manhã cedo já voltei para ficar com ele no hospital”. 

Com o seu único filho preso e impossibilitado de ajudar nos cuidados, Maria explica que não tem condições financeiras ou físicas de levar o marido para os retornos médicos necessários. Tentando resolver a situação, ela procurou a assistência social do bairro onde mora, o bairro Vila Eugênio, em Campo Grande, mas recebeu apenas negativas como resposta. 

“Eu já fui a todos os lugares que se possa imaginar. Já fui à assistência social do posto, no Cras e no Conselho Tutelar dos Idosos. Me disseram que no Cras do bairro Aero Rancho era só chegar e já conseguia ajuda. Eu consegui, sim, um não bem grandão. Em todos os lugares que se possa imaginar de assistência social, eu já fui. Só não fui à igreja porque eu já estou tão desacreditada que eu não vou mais nela”, desabafa Maria. 

Apesar de ter sido orientada pela assistência social a procurar a Defensoria Pública, Maria afirma que não tem condições de ir atrás para resolver a situação, porque também não tem uma boa saúde. Segundo a dona de casa, ela precisa de uma vaga para seu marido em alguma Instituição de Longa Permanência para Idosos, mas apenas durante o período de tratamento.

“Eu já fui a vários lugares. Ao contrário de ajuda, recebi hostilidade. Já escutei a assistente social dizer para mim que vou ser presa caso eu não cuide dele. Como uma mulher doente, infartada, cheia de problemas de saúde, vai ser presa por não ter condição de cuidar do marido que está doente? Foi a assistente social da UPA Universitário que disse isso para mim”. 

Maria agora pede ajuda para conseguir continuar os cuidados com o marido. A sua necessidade é por uma vaga em alguma casa de cuidados com idosos apenas durante o tratamento dele, ou de alguma ajuda para lidar com o marido no dia a dia. Interessados em ajudar podem entrar em contato pelo número (67) 9 9876-6933. 

A redação entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande para entender o que pode ser feito na situação, mas ainda não teve retorno.