Mato Grosso do Sul está entre os estados mais violentos para mulheres no país

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior índice proporcional de feminicídios no Brasil. De acordo com o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021–2025)”, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 39 mulheres assassinadas em 2025 em crimes classificados como feminicídio.

Com esse número, Mato Grosso do Sul alcançou a taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil mulheres, índice bem acima da média nacional, que foi de 1,43. No ranking proporcional, o estado ocupa a quarta posição entre os mais violentos para mulheres, ficando atrás apenas do Acre (3,2) e de Rondônia (2,9).

O levantamento também aponta que, entre 2021 e 2025, houve crescimento de 14,3% nos casos registrados em Mato Grosso do Sul. Outro dado que chama atenção é que o estado, junto com o vizinho Mato Grosso, permaneceu durante todos os anos analisados entre os cinco com maiores taxas de feminicídio do país, cenário considerado preocupante pelos pesquisadores.

Panorama nacional

Em todo o Brasil, o relatório contabilizou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio apenas em 2025, número que representa aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.

Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime no Código Penal, em março de 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de gênero no país.

Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado de feminicídios no Brasil chegou a 14,5%. O aumento mais significativo ocorreu entre 2021 e 2022, quando os registros subiram 7,6%. Nos dois anos seguintes, entre 2022 e 2023 e 2023 e 2024, a alta foi menor, cerca de 1% ao ano. No entanto, entre 2024 e 2025, houve novo avanço de 4,7%, indicando que a violência contra mulheres continua em expansão.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

O estudo também destaca os avanços trazidos pela Lei Maria da Penha, que em 2026 completa duas décadas de criação e é considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.

Apesar dos avanços legais, o relatório ressalta que o cenário ainda exige atenção permanente das autoridades e fortalecimento das políticas públicas, com atuação constante das forças de segurança e do sistema de justiça para garantir a aplicação efetiva das medidas de proteção e prevenção.