
De janeiro até o início de agosto deste ano, Mato Grosso do Sul já contabilizou 12.393 casos de violência doméstica, segundo levantamento da Polícia Civil e do Tribunal de Justiça de MS (TJMS). A média é de uma ocorrência registrada a cada 25 minutos, evidenciando a gravidade da violência contra a mulher no estado.
A campanha Agosto Lilás, instituída pela Lei Estadual 4.969/2016 e idealizada pelo deputado estadual Professor Rinaldo Modesto (Podemos), reforça neste mês a necessidade de enfrentamento constante à violência de gênero. “Nosso estado infelizmente lidera índices preocupantes de violência contra a mulher e feminicídio no país, o que torna ainda mais urgente a mobilização e a implementação de políticas eficazes”, alertou o parlamentar.
O Monitor da Violência Contra as Mulheres, ferramenta do TJMS em parceria com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mostra que a violência doméstica tem cor: 62% das vítimas são negras. Das 12.393 ocorrências registradas, 7.673 envolvem mulheres pretas ou pardas — ou seja, de cada dez vítimas, seis são negras.
A violência sexual também assusta. Até o início de agosto, 1.077 estupros de mulheres foram registrados no estado. A maior parte das vítimas são crianças e adolescentes, representando 82,5% dos casos: 447 crianças (0 a 12 anos) e 442 adolescentes (12 a 17 anos). Além disso, 15 idosas também foram estupradas.
O estado já contabiliza 21 feminicídios em 2025, superando os números do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 19 casos entre janeiro e julho. Em todo o ano de 2024, foram 35 mortes.
Mobilização e políticas públicas
A campanha Agosto Lilás serve como alerta e também como instrumento de educação e mobilização social. A criação e execução de políticas públicas eficazes, além da ampliação da rede de proteção às vítimas, são urgentes diante da recorrência e brutalidade desses crimes.
O Estado mantém canais de denúncia como a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, a Polícia Militar (190) e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), que podem ser acionadas em qualquer caso de violência doméstica.
O enfrentamento à violência de gênero, especialmente no contexto doméstico, exige esforço conjunto entre poder público, sociedade civil e instituições de justiça — não apenas no mês de agosto, mas em todos os dias do ano.





























