
O governo do Rio de Janeiro confirmou, na tarde desta quarta-feira (29), a morte de 119 pessoas durante a Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28). Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Niterói e de outras regiões fluminenses para identificação. Segundo estimativa da Defensoria Pública, o número de mortos pode ultrapassar 130.
A operação, que durou cerca de três horas, mobilizou aproximadamente 2.500 agentes de segurança pública com o objetivo de conter a expansão do Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio. Durante o confronto, quatro agentes das forças de segurança também morreram.
Com esse saldo, a ação se tornou a mais letal da história do Rio de Janeiro, superando a operação no Jacarezinho, em 2021, que terminou com 28 mortos após intenso tiroteio entre policiais e criminosos.
O governo estadual informou que o foco da operação era o cumprimento de mandados de prisão. O balanço mais recente aponta 113 pessoas presas, 90 fuzis apreendidos e dezenas de carregadores e munições confiscados.
Divergências entre autoridades
Durante coletiva em Brasília, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que o governo do Rio não solicitou apoio federal para a operação. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também declarou não ter sido informado previamente sobre a ação, que teria sido articulada exclusivamente pelas forças estaduais.
Por outro lado, o governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como um “sucesso” e parabenizou as equipes envolvidas, destacando que o objetivo era enfrentar o avanço das facções criminosas.
PGR e STF acompanham o caso
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou nesta quarta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que aguarda o envio de informações do governo do Rio de Janeiro para avaliar eventuais medidas após a operação.
Em ofício ao ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, informou que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) já pediu explicações ao governador sobre a condução da ação. O pedido foi feito após o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) solicitar ao Supremo que Castro apresente relatório detalhado da operação, justificativa formal e as medidas adotadas para socorrer as vítimas e garantir a responsabilização em casos de violação de direitos humanos.
O caso é analisado dentro da chamada ADPF das Favelas, processo no qual o STF já determinou diretrizes para reduzir a letalidade policial nas comunidades cariocas. A relatoria estava sob responsabilidade do ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou recentemente. Com sua saída, Alexandre de Moraes passou a tomar decisões urgentes sobre o tema.
Em abril deste ano, o Supremo havia reforçado medidas de controle sobre operações da Polícia Militar em áreas de conflito, com o objetivo de reduzir mortes e garantir transparência nas ações de segurança pública no estado.
*Com informações da Agência Brasil
























