
As prisões de policiais durante a Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal e pela Receita Federal nesta quarta-feira (18), revelam um desdobramento ainda mais grave: a infiltração de agentes de segurança pública em uma organização criminosa estruturada, voltada ao contrabando de eletrônicos de alto valor.
Entre os presos estão dois investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Célio, o “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo. Além deles, três policiais rodoviários federais aposentados, ligados à Polícia Rodoviária Federal, também foram alvos da operação.
Embora os agentes da PRF já estivessem fora da ativa há mais de oito anos, a investigação aponta que o grupo criminoso se valia justamente da experiência e da rede de contatos desses profissionais para viabilizar o esquema. Já no caso dos policiais civis, a situação é ainda mais sensível, por envolver servidores em atividade, com acesso direto a sistemas oficiais e informações sigilosas.
As apurações indicam que os agentes de segurança atuavam de forma estratégica dentro da organização criminosa. Entre as funções atribuídas aos policiais estão o fornecimento de informações confidenciais extraídas de sistemas institucionais, o monitoramento de operações e até o apoio logístico no transporte de mercadorias ilegais.
Esse tipo de atuação compromete diretamente a integridade das instituições de segurança pública, uma vez que os investigados teriam utilizado suas prerrogativas funcionais para proteger e impulsionar atividades criminosas.
Esquema milionário e atuação interestadual
O grupo é suspeito de movimentar grandes volumes financeiros com a importação fraudulenta de eletrônicos, que entravam no país sem documentação fiscal e eram distribuídos principalmente em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Parte da operação passava por cidades como Dourados e Campo Grande.
Para burlar a fiscalização, os produtos eram escondidos em cargas legais e transportados em veículos com compartimentos ocultos. O esquema contava com divisão de tarefas bem definida e suporte de empresas e pessoas físicas, algumas delas com atividades suspensas por decisão judicial.
Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o caso por meio das corregedorias e irá instaurar processos administrativos disciplinares contra os envolvidos. A pasta reforçou que não tolera desvios de conduta e que adotará todas as medidas cabíveis.
A operação resultou em quatro prisões preventivas, bloqueio de R$ 40 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos e suspensão de empresas ligadas ao esquema.
O desdobramento envolvendo policiais amplia o alcance da investigação e pode trazer novas revelações nos próximos dias, especialmente sobre a extensão da rede criminosa e o eventual envolvimento de outros agentes públicos.





























