Passo a passo do assassinato de petista por bolsonarista em Foz do Iguaçu, segundo a Polícia Civil

FOZ DO IGUAÇU – Após investigação realizada pela Polícia Civil do Paraná, a delegada Camila Cecconello afirmou que o assassinato do tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda, cometido pelo agente penal e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) Jorge Guaranho teve “motivo torpe” e descreveu os momentos que antecederam o crime. Segundo a delegada, Guaranho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por causar perigo comum. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 15.

Dirigentes do PT, entre eles a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, prestam homenagem a Marcelo Arruda, assassinado em Foz do Iguaçu
Dirigentes do PT, entre eles a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, prestam homenagem a Marcelo Arruda, assassinado em Foz do Iguaçu Foto: Christian Rizzi /Reuters

Ao longo das investigações, a Polícia Civil realizou 18 oitivas de testemunhas sobre o caso, segundo a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Civil do Paraná. Foram colhidos depoimentos de testemunhas que estavam no local onde Arruda foi morto, familiares do guarda municipal e também de Jorge Guaranho. Os investigadores também analisaram imagens de câmeras e informaram terem cumprido “diligências complementares”. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que pode oferecer denúncia contra Guaranho.

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Conforme relato da delegada, Guaranho estava em um churrasco, em que consumia bebidas alcoólicas, quando ficou sabendo da festa cujo tema era o Partido dos Trabalhadores. Ele conseguiu a informação através de uma pessoa que também estava no churrasco e tinha acesso às câmeras de monitoramento da Associação Recreativa e Esportiva da Segurança Física (Aresf), onde a festa petista acontecia.

Guaranho teria saído do churrasco em direção ao clube acompanhado de sua esposa e de uma criança pequena. A delegada relata que, quando ele chegou ao local de carro, que tocava uma música referente à campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL), o guarda municipal e tesoureiro do PT, Marcelo Arruda, saiu da festa e verificou quem havia chegado no local.

Iniciou-se, então, uma discussão em que ambos defendem suas posições políticas; um apoia Bolsonaro e é contra Lula, e vice-versa, diz a delegada. Num determinado momento, Arruda teria pegado um punhado de terra e lançado sobre Guaranho, que saca a arma. Após pedido da mulher, nervosa com o desenrolar da situação, o casal foi embora da festa.

Mesmo após pedido da mulher para que não retornasse, Guaranho voltou ao clube, encontrou o portão fechado, mas conseguiu entrar no local. Ao descobrir a chegada de Guaranho, Arruda teria carregado sua arma.

Os dois sacaram suas armas. Eles teriam ficado por cerca de três a quatro segundos dizendo um para o outro para que baixasse a arma, até que Guaranho começou os primeiros disparos contra Arruda, que caí no chão e revida. Ambos ficaram feridos e o socorro foi acionado.

Delegada afasta motivação política

“Nesse primeiro momento fica muito claro que houve uma provocação e discussão em razão de ideologias e opiniões políticas. Agora, quando ele retorna para casa e resolve voltar, não há provas nos autos suficientes que indiquem que ele voltou porque queria cometer um crime de ódio contra uma pessoa ou pessoas de outro político que não o dele”, afirmou a delegada.