
O senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad afirmou que o Brasil precisa agir com responsabilidade diante da sinalização do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã. A medida foi anunciada por Donald Trump, por meio de ordem executiva, e ainda aguarda publicação oficial.
Em 2025, o comércio brasileiro com o Irã alcançou quase US$ 3 bilhões, com forte concentração no agronegócio. Milho e soja responderam por 87,2% das exportações ao país asiático no período. O milho liderou com 67,9% do total, superando US$ 1,9 bilhão em vendas, enquanto a soja representou 19,3%, com cerca de US$ 563 milhões.
Segundo o senador, que presidiu a Comissão Temporária Brasil–EUA no ano passado, o Irã se consolidou como destino relevante para os grãos brasileiros. “Qualquer instabilidade nesse fluxo tem efeito direto sobre o produtor, os preços e o emprego. Já percebemos sinais de restrições financeiras e operacionais, sobretudo nas exportações de milho”, alertou.
Para Nelsinho Trad, o anúncio de Washington deve ser tratado com pragmatismo. “O Brasil precisa proteger seus exportadores e manter canais institucionais de diálogo com os Estados Unidos, sem politizar um tema que impacta diretamente a economia”, defendeu.
À frente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o parlamentar afirmou que pretende intensificar a interlocução entre os Legislativos dos dois países e buscar previsibilidade para quem produz e exporta. Ele lembrou a atuação recente da comissão temporária, destacando que o diálogo ajudou a mitigar danos. “Com política, método e articulação, foi possível construir pontes em Washington e obter o recuo parcial de medidas. Produtos estratégicos para o Brasil, como celulose e carne, ficaram fora da tarifa de 50%”, concluiu.
























