‘Maior’ Datafolha reforça vantagem estável de Lula; leia análise

Há seis dias, portanto 9 de setembro, ainda no calor das manifestações bolsonaristas durante as celebrações pelo dia da Independência, foi divulgado o último resultado de uma pesquisa Datafolha. Os números refletiam as posições de 2.676 pessoas entrevistadas: 45% para Lula, contra 34% de Bolsonaro.

Nesta quinta-feira, o instituo divulgou nova leva de dados, sendo que desta vez a amostragem foi a maior desde o início da campanha, com 5.926 eleitores consultados: 45% para Lula, contra 33% de Bolsonaro – distância dos 12 pontos porcentuais. Ciro Gomes aparece com 8% e Simone Tebet 5%.

O resultado reforça dois aspectos já característicos desta corrida presidencial: vantagem de Lula e, com pequenas oscilações aqui e ali, uma quase entediante estabilidade. É como se, não importa o que haja, nem Lula nem Bolsonaro sejam capazes de mexer com o eleitor a ponto de alterar a dinâmica de forças entre eles.

E não se pode dizer que ambos não tentem.

Lula e Bolsonaro seguem na liderança nas pesquisas eleitorais.
Lula e Bolsonaro seguem na liderança nas pesquisas eleitorais.  Foto: Rodrigo Abd/AP

Do lado do presidente, o tom da campanha contra Lula nunca foi tão forte, inclusive lançando mão de termos como “ladrão”. Ataques que galvanizem o antipetismo serão fundamentais para evitar que a eleição se encerre mais cedo e ensaiar uma virada no segundo turno, mas podem não ser suficientes. Para além de aumentar a rejeição do prócer petista, Bolsonaro precisa urgentemente diminuir a sua, que hoje bate os 50%, patamar esse que inviabiliza, até mesmo, sonhar com a reeleição. Nesse sentido, calar quando uma jornalista como Vera Magalhães é covardemente atacada não ajuda.

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Já Lula precisa se decidir se vencer é suficiente ou se desde agora pretende melhorar a própria imagem diante do eleitor que reluta lhe dar o seu voto, mesmo diante da possibilidade de Jair Bolsonaro ficar mais quatro anos no poder. Insistir na tese de que houve golpe contra Dilma Rousseff e titubear em vez de assumir a miríade de corrupção nos governos petistas só agrada convertidos. Mirar nos votos de Tebet e Ciro, mais do que natural, é um dever, mas com jeito. Deixando de lado bobagens como dizer que quem se abster de votar não pode reclamar depois.

Se continuar assim, o cenário não é ideal para Lula, que naturalmente gostaria de liquidar a fatura no primeiro turno, porém tampouco preocupa. Isso porque a máxima “segundo turno é outra eleição” não se aplica este ano. E não só por não faz sentido imaginar eleitores lulistas ou bolsonaristas virando a casaca em poucas semanas, mas porque o primeiro turno já encarna todas as facetas de segundo.

*Mario Vitor Rodrigues é jornalista