‘Teatro bolsonarista’: R$ 1,1 mil por pergunta

A Folha revelou na terça-feira (20.set.22) que o publicitário Beto Viana recebeu R$ 1,1 mil para ser apoiador fake e fazer pergunta ensaiada para Jair Bolsonaro (PL), no cercadinho do Alvorada. A missão era questionar se Bolsonaro havia assistido à entrevista do então ministro da Saúde, agora candidato, Luiz Henrique Mandetta, na Globo. 

A situação ocorreu 3 dias antes de Mandetta ser demitido. Procurada, a assessoria do ex-ministro disse que não vai comentar esse assunto.  

Segundo a reportagem, Viana foi contratado para o serviço pelo o canal bolsonarista Foco do Brasil. Esse canal recebeu pelo menos R$ 9,3 mil de verbas públicas em sete meses de pandemia, entre 2020 e 2021. A verba foi repassada ao canal por meio de anúncios do governo federal no YouTube.

A pergunta enlatada feita pelo apoiador fake gerou um vídeo que viralizou como mais uma das “mitadas” do mandatário.

“Naquele mesmo dia, às 10h, o fotógrafo recebeu uma TED de R$ 1.100 transferido da conta da “Folha do Brasil Negócios Digitais”, antigo nome do Foco do Brasil [site que veiculou o vídeo]. Segundo ele, a informação foi a de que era um adiantamento de seu salário mensal, de R$ 2.000″. 

O publicitário, que hoje trabalha como motorista de aplicativo, afirmou que continuou indo ao cercadinho e foi orientado a não fazer mais perguntas e só figurar como apoiador, em meio aos outros supostos apoiadores.  

Após alguns dias, Viana relatou que Anderson [homem que pagou pela pergunta] disse que o vídeo havia viralizado e ele estaria muito visado, razão pela qual ele seria deslocado para fazer imagens de manifestações bolsonaristas na Esplanada dos Ministérios. Cerca de um mês depois,  Viana foi dispensado.

De acordo com o publicitário, nos dias em que ficou no Alvorada, foi abordado algumas vezes por seguranças, mas que outros liberaram seu acesso dizendo frases como: “esse é dos nossos”.

Essa é mais uma armação revelada, da extensa lista de mentiras do governo Bolsonaro. Assim como as chegadas apoteóticas nos aeroportos (armadas por militantes), o pão com leite condensado, o almoço de galinha com farofa. O governo emplaca situação que romontam as chanchadas que não faz rir, mas causa uma ruptura na imagem do país internamente e no exterior — cite o caso de bolsonaristas no Reino Unido que usaram o funeral da monarca Elizabeth 2ª para tentar lucros eleitorais.