
Em um fim de semana que se iniciou com jingles, choros de felicidade e clima de “já ganhou”, petistas terminam a noite deste domingo demonstrando frustração com o resultado das urnas, que demonstrou uma força que, a eles, é tida como “inesperada” do bolsonarismo.
Petistas vão iniciar a segunda-feira, 2, com uma reunião de coordenação para debater o resultado do primeiro turno. Lula, apesar de demonstrar serenidade e até bom humor, admitiu a frustração com o resultado do primeiro turno a pessoas próximas.
O clima de tensão no hotel Jaraguá, no centro de São Paulo, onde Lula montou seu QG para acompanhar a apuração do primeiro turno, se iniciou poucas horas depois de se iniciar a divulgação parcial dos resultados.
Bolsonaro chegou a ficar 8 pontos à frente de Lula no meio da tarde, quando as urnas dos estados do Sul estavam em um ritmo de apuração bem mais avançado do que os do Nordeste.

Foto: Sebastiao Moreira/EFE
Apoiadores de Lula como o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e o deputado estadual Emídio de Souza (PT), buscaram esboçar tranquilidade, mas evitaram expor como estava o clima entre os convidados. O ex-secretário de Cultura Alê Yousseff, que apoia Lula e estava com um boné vermelho, a esta altura, já se preocupava com a vantagem de Bolsonaro.
Militantes tentavam puxar coros de “virou” antes mesmo do momento em que Lula realmente atingiu a liderança e ultrapassou Bolsonaro. A fake news fez com que jornalistas no entorno todos abrissem seus celulares para entender o que estava acontecendo, já que Bolsonaro, minutos antes, ainda estava com larga vantagem.
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“Só para dar aquela levantada”, disse um dos puxadores do grito, aos risos, em meio a um grupo de militantes petistas e de movimentos sociais na porta do hotel. Com o avançar da apuração e a virada de Lula, a tensão se transformou em gritos de apoio ao petista e até alguns choros desesperados de alívio entre os uniformizados de vermelho na porta do hotel.
Marco Aurélio Carvalho, advogado líder do Grupo Prerrogativas e um dos mais próximos amigos de Lula na atualidade, tentou esboçar otimismo. Apareceu para fumar em frente ao hotel e disse que a disputa ainda estava em aberto, e que as urnas do Nordeste poderiam inclusive levar Lula a uma vitória no primeiro turno.
Com a virada, houve uma explosão de cânticos a favor do ex-presidente, como o conhecido “Ole, Ole, Olá, Lula, Lula”. Alguns dos militantes, choravam. A alegria durou pouco. A pontuação de Bolsonaro, especialmente no Rio e em São Paulo, com uma vitória de Claudio Castro (PL) no primeiro turno, e a vantagem de Bolsonaro em São Paulo, com a liderança de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo do Estado fizeram petistas e aliados perceberem que a disputa iria para um segundo turno com chances reais de vitória do atual presidente.
Um aliado afirmou ao Estadão que, durante a apuração, Lula disse a pessoas próximas, no hotel: “Não foi bem o que a gente esperava, mas tudo bem”. Disseram que o petista estava esboçando bom humor. Um aliado também disse que petistas estavam consternados com a força do “voto silencioso” em Bolsonaro.
Na saída do hotel, Rui Falcão (PT) disse que o resultado foi surpreendente, mas que agora é hora de recomeçar no segundo turno e voltar à campanha. Disse também que nesta segunda, haverá uma reunião da coordenação para debater o resultado.
No lobby do hotel, petistas estavam nervosos, inclusive, com a possibilidade de não manterem vagas no Congresso. Apesar de uma votação boa do PT em São Paulo para a Câmara, Paulo Teixeira (PT), claramente em estado de tensão, perguntava a assessores e jornalistas, a todo o tempo, qual era o resultado parcial da apuração. No fim, ele acabou entrando na lista dos eleitos. “Você está eleito!”, gritavam amigos, para relaxar o petista, que aliviava a preocupação.
De todos os aliados de Lula, apenas José Luiz Penna não se disse surpreso. O presidente do PV, já na última reunião da coordenação, alertava para um clima de já ganhou desnecessário e fora da realidade. Ao Estadão, ele disse que não se derrota um candidato “fascista” com essa facilidade, e que será apertada a disputa.
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Após Lula deixar o hotel por uma saída reservada, petistas como Fernando Haddad e Eduardo Suplicy saíram pela porta da frente, onde foram ovacionados por apoiadores, que agora esvaziam o lobby e se dirigem à Avenida Paulista.
























