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Vídeo: indígenas estavam bebendo água contaminada por cavalo em decomposição

Indígenas Kadiwéu da Aldeia Alves de Barros, no município de Porto Murtinho (MS), estavam bebendo água contaminada pelo cadáver de um cavalo em decomposição.

Segundo apurado pelo MS Notícias, uma equipe de Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), retirou o cavalo morto do leito do ‘córrego da Campina’ na 3ª feira (25.jul.23). 

Agentes da AISAN atuam na retirada da carcaça do cavalo da nascente do córrego Campina, em Porto Murtinho (MS). Foto: MS Notícias Agentes da AISAN atuam na retirada da carcaça do cavalo da nascente do córrego Campina, em Porto Murtinho (MS). Foto: MS Notícias 

Eis vídeos que mostram momento do achado e retirada do cavalo em decomposição da nascente:

Conforme lideranças Kadiwéu, a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) fez 3 poços artesianos, mas nenhum está em funcionamento. A água que os indígenas estavam consumindo estava sendo direcionado da nascente na Serra da Bodoquena para a comunidade, sem que passe por nenhum tratamento.

“Eles só vem com promessas, desde 1999 quando criaram a [Fundação Nacional de Saúde] Funasa, depois veio a Sesai que há alguns anos perfurou esses 3 poços, mas nenhum… só dinheiro jogado fora… E o pior é que a comunidade bebe essa água sem tratamento nenhum”, diz um denunciante que terá o nome preservado.

Com a contaminação da água, desde a 3ª feira, muitos indígenas voltaram a ter que ‘caçar’ água, montando uma operação para retirada de água manual do solo.

“Pedimos ao poder público que fiscaliza melhor o uso do recurso que a Sesai tem gerido, a atual gestão. Que eles perfurem poços que possam realmente abastecer a comunidade, não por essa água de gravidade sem tratamento algum, né? Porque eles fizeram a rede, né? Os poços estão lá, foi gasto… Que os engenheiros façam um estudo melhor na hora de perfurar os poços para não gastar dinheiro, porque, se procurar lá no recurso vai aparecer que tem 3 poços perfurados, mas nenhum funciona, né? Infelizmente”.

Os indígenas da Aldeia Alves de Barros cobrar celeridade nas providências para que situações como isso não ocorra. “Que o Ministério Publico tome as [providências], se possível… porque quem está sendo lesado não é uma pessoa, é toda uma comunidade. O Ministério Público poderia ir lá in loco ver o que está acontecendo lá. Porque se a gente depender só da Sesai a gente não vai ter êxito. A comunidade pede socorro, porque estamos abandonados, sem assistência nenhuma, precisamos que MPF vá averiguar certinho a situação do abastecimento das águas”.

Procurado pela reportagem do MS Notícias, o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Mato Grosso do Sul, Arildo Terena, confirmou o achado do cadáver do cavalo nas águas do córrego ‘Campina’. Ele sustentou que está sendo feito um tratamento na água do córrego e que no último dia desse mês a água do córrego contaminado voltará a ser usada. 

“Esse fato aconteceu, o cavalo estava na nascente onde estava sendo captada água. Agora nossa equipe está fazendo um tratamento específico e no mais tardar, na 2ª feira (31.jul.23), a água voltará a ser envia para a comunidade”.

Ainda segundo Arildo, há um poço funcionando na comunidade. “Se não estivesse funcionando como eles estariam pegando água. Temos um poço que está funcionando, sim. E tem um outro poço que está sendo furado pelo governo do estado. Ainda não temos da data de quando ficará pronto esse do estado, mas vai ajudar no abastecimento da comunidade e da escola estadual lá”, disse.

Conforme Arildo, a informação de que famílias indígenas estão sem água, pode até proceder. “Mas não por longo prazo, porque como eu disse, está sendo feito o tratamento para corrigirmos isso”.

Sobre a denúncia de que água captada do córrego não passa por nenhum tratamento, o chefe da DSEI negou: “Nós temos uma caixa de água, onde antes de ser distribuído para comunidade, tem um tratamento. Fica dentro da Aldeia. Nós usamos cloro e tem tratamento, sim”, argumentou.

Sobre as outras aldeias na região, Arildo sustentou que apenas tem problemas de abastecimento de água na Aldeia Córrego do Ouro. “Lá no córrego do Ouro, estive lá semana passada, teve um problema na energia solar lá que acabou afetando a bomba, mas estamos trabalhando para corrigir esse problema lá e voltar ao abastecimento do poço”, finalizou.

Apesar do que afirma o chefe da DSEI, os indígenas reafirmam que não há nem tratamento da água e muito menos poços na Aldeia Alves de Barros. A comunidade acredita que Arildo desconhece a captação de água no local e também revela que não sabem onde o estado estaria furando um poço no local. 

“Não tem nada de tratamento, continua a mesma coisa. A única coisa que o chefe do polo da Sesai de Bodoquena, seu Paulino, recomendou para comunidade só ferver a água. Vai ferver água contaminada com cavalo em decomposição? Não tem poço não, é conversa do Arildo”, rebatem membros Aldeia Alves de Barros.