
Edcarlos Jesus Silva, sócio-proprietário das empresas MS Brasil Serviços e Comércios Eireli e Serviços e da Engenex Construções, ambas investigadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por possível esquema de fraude em licitações com a Prefeitura de Campo Grande, venceu o lote da licitação Nº 172/2023 no valor de R$ 23.794.737,48 para locação de máquinas e veículos pesados, caminhões, micro-ônibus ou vans, e equipamentos para execução de serviços no município de Três Lagoas (MS).
O nome do empresário é enfatizado no relatório da Operação Cascalhos de Areia, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público Estadual (MPE) para investigar contratos de obras da Capital sul-mato-grossense.
Fachada da empresa MS Brasil Comércios e Serviços. (Foto: Henrique Kawaminami | Campo Grande News)Criada em setembro de 2011, numa sociedade entre Edcarlos Jesus da Silva e sua esposa, Kathiuce Marques Fernandes, a MS Brasil Comércio e Serviços inicialmente tinha um capital social de R$ 50 mil e, de acordo com a investigação do Gecoc, atuava no ramo de “serviços combinados de escritório e apoio administrativo”. Atualmente, a empresa consta apenas no nome de Edcarlos.
Conhecido como um “especialista em licitação”, aos 42 anos, Edcarlos está ligado à empresas, em contratos suspeitos de R$ 326 milhões pela administração municipal, apesar das suspeitas da promotoria sobre a capacidade da execução das obras, diante do número insuficiente de máquinas e pessoal para cumprir contratos.
Conforme cadastro na Receita Federal, o empresário promete por meio da MS Brasil Comércios e Serviços, a locação de maquinário e caminhões. A empresa funciona em uma rua residencial do Jardim Paulista, em Campo Grande.
DOBRADINHA TL-CG
Essa não é a primeira vez que Edcarlos leva uma licitação em Três Lagoas. Em 2017, sete meses após vencer a licitação de Campo Grande, a MS Brasil Comércio e Serviços também saiu campeã do certame realizado em Três Lagoas, na época, o contrato de empresa com o objetivo de “locação de máquinas pesadas, caminhões, ônibus e veículos leves”. O contrato foi fechado no valor de R$ 8.713.200.
O MPMS já alertado os órgãos públicos na época: “Em síntese, verifica-se que no período de 10/7/2017 a 5/2/2018 (sete meses), mesmo não aparentando possuir estrutura, e em total desconformidade com a sua atuação histórica, a empresa MS Brasil conquistou contratos com a Prefeitura de Campo Grande e a de Três Lagoas, que totalizam/totalizaram o valor global de R$ 102.971.200,90”.
Um infográfico produzido pelo jornal Correio do Estado mostra o meteórico crescimento da MS Brasil sob Edcarlos. Veja:

OUTRAS EMPRESA ALVOS DA JUSTIÇA
Pela Engenex Construções, Edcarlos firmou contratos com a prefeitura de Campo Grande para conservação de vias não pavimentadas em bairros das regiões urbanas do Lagoa e Imbirussu. Levantamento do MPE colocou em xeque a realização dos serviços, com suspeita de superfaturamento e valores pagos sem qualquer fiscalização. Nesta empresa, Edcarlos tem 90% das cotas e é sócio do sobrinho Paulo Henrique Silva Maciel (10%).
A Engenex foi aberta em 2011 por Mamed Dib Rahim, empresário que foi alvo do Gaeco em 2020 na operação Penúria (superfaturamento de cestas básicas vendidas ao governo na pandemia). No ano de 2021, Mamed deixou o quadro societário, apesar de a empresa estar no azul, com saldo remanescente de R$ 10,1 milhões em contratos com a prefeitura.
Mamed Dib Rahim (em pé ao microfone) durante audiência na Câmara de Vereadores em 2013. (Foto: Divulgação/CMCG)Mamed também foi alvo da Operação Cascalhos de Areia em junho deste ano. A Engenex tem capital social de R$ 950 mil e foi contratada pela prefeitura para conservação de ruas sem asfalto. A empresa funciona em imóvel no Jardim Monte Alegre, num endereço compartilhado com a JR Comércios e Serviços Ltda, que mantém contratos de R$ 224 milhões com a Prefeitura da Capital pela locação de maquinários e caminhões. Nessa última, a suspeita é de que Edcarlos seja sócio oculto.
Edcarlos Jesus Silva e sua esposa, Kathiuce Marques Fernandes (à direita) fundaram a MS Brasil. (Foto: Reprodução/Midiamax)Oficialmente, a JR é de propriedade de Adir Paulino Fernandes, de 65 anos, sogro de Edcarlos. Ao ser preso por posse irregular de arma de fogo, Adir contou que vende queijo e tem renda mensal de R$ 2,5 mil.
A investigação revelou que o genro tinha procuração do sogro, com plenos poderes sobre a JR Comércios e Serviços. Outorgado em abril de 2019, o documento não tem prazo de validade e concedia plenos amplos poderes a Edcarlos. A empresa tem capital social de R$ 500 mil.
A ligação de Edcarlos Jesus Silva com a JR foi identificada na análise de dados de Mamed Dib Rahim na Operação Penúria, onde e-mail informa que Edcarlos também era responsável direto pela JR Comércios.
Edcarlos também é alvo de ação na Justiça da Operação Toque de Midas, em que a PF (Polícia Federal) apura irregularidades em licitações de kits de materiais escolares para a Prefeitura de Paranhos.
“Através de pesquisas em fontes abertas, apurou-se que Edcarlos Jesus Silva possuiu vínculos e/ou representou várias empresas, que atuam em variados ramos, durante licitações públicas, inferindo-se que tenha atuado/atua como prestador de serviços e/ou especialista em licitações”.
Fontes: Correio do Estado | O Jacaré | Campo Grande News.
























