
O candidato do governo, Sérgio Massa, venceu o 1º turno das eleições na Argentina, realizada no domingo (22.out.23). Ele ficou muito perto de se tornar o próximo presidente e derrotou a narrativa do extremista de direita Javier Milei, que tem entre suas propostas o armamentismo. Os dois duelam no 2º turno em 19 de novembro.
“Obrigado aos mais de 25 milhões de argentinos que foram votar, a nossa democracia saiu mais forte. Vou apelar a um governo de unidade nacional com os melhores e independentemente da sua força política. No dia 19 de novembro temos que definir se construímos um país que acolha a todos ou um país de cada um para si. Vou abraçar cada argentino e cada argentina, não importa o que pensem, não importa a sua religião, não importa a sua condição social. Quero que saiba que com essa paixão e com o amor que tenho pela família e pelo país, cuidarei de você a partir do dia 10 de dezembro. Meu maior compromisso é ser o presidente do trabalho e da segurança. Contem comigo, conto com cada um de vocês. Agradeço de coração”, escreveu Massa na sua conta oficial do X (antigo Twitter), nesta 2ª feira (23.out.23). Eis o post original em Espanhol:

Como todo radical, nesta 2ª feira, 23 de outubro, Milei não agradeceu seus eleitores. Em uma publicação em sua conta no X, fez acusações contra seus adversários e pregou a divisão. “LIBERDADE vs. Kirchnerismo Se não queremos perder o país nas mãos deste governo de criminosos, é fundamental que todos nós que queremos a mudança trabalhemos juntos. Temos trinta dias para fazer História. VLC…!!!”, escreveu o extremista de direita. Veja o post original em espanhol:

RESULTADO
A reviravolta com Massa à frente, mostrou ao mundo que o peronismo mantém alto capital político entre os argentinos. Massa obteve três milhões de votos no domingo, em comparação com o 3º lugar da sua coligação nas primárias de agosto.
Milei encolheu no encalço da perturbadora campanha, incluindo troca de insultos com os seus rivais da coligação pró-empresarial Juntos por el Cambio. Ele acabou quase sete pontos percentuais atrás de Massa, mostrando que o seu estilo radical com tom direitista atingiu eleitores que temem as mudanças extremistas que ele propõe, dentre elas, a liberação do comércio livre de armas na Argentina. O lobby com a indústria bélica, é um dos pontos econômicos fortes na campanha de Milei.
O resultado de ontem também sinalizou que o poder de Fernández de Kirchner, foi enfraquecido.
O governador Axel Kicillof, um aliado de Massa, manteve o cargo com quase 45% dos votos, mostrando mais uma vez que controlar a província de Buenos Aires contribui muito para influenciar a política nacional na Argentina. Isso afastou Fernández de Kirchner, que tem desempenhado um papel de liderança na política desde que o seu marido, Néstor, foi eleito presidente em 2003.
Outro fator que pode ter afetado a campanha de Milei, foi o fato de que a coligação de centro-direita enfrentou problemas internos e perdeu terreno.
A coligação pró-negócios Juntos por el Cambio, liderada pelo ex-presidente Mauricio Macri, vendia-se como a estética do próximo governo. No entanto, as lutas internas entre facções conservadoras, juntamente com a chegada de Milei, relegaram-nas para a 3ª posição.
ASSOCIAÇÃO COM A EXTREMA DIREITA DO BRASIL
Javier Milei, liderava as pesquisas de intenção de voto, até receber apoio do derrotado e inelegível Bolsonaro e do se filho, Eduardo Bolsonaro. Foto: RedesOutra estratégia fracassada de Javier Milei foi associar sua imagem a Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro — esse último que atuou como cabo eleitoral de Milei — isso pode estar diretamente ligado a sua derrocada no 1º turno. Numa manifestação de Eduardo Bolsonaro à TV Argentina o parlamentar brasileiro tentou defender a liberação de armas para toda a população, ele que é um garoto propaganda da indústria bélica. Apesar da tentativa de Eduardo, sua manifestação virou deboche e foi rebatida por comunicadores ao vivo. “Só a Argentina para receber esse tipo de gente”, disse um âncora ao cortar a famigerada manifestação do extremista de direita brasileiro. Veja:
Após o resultado eleitoral negativo, Milei usou a estratégia da extrema direita de acusar fraude a luz da sua derrota inesperada.
Assim que as manifestações sem provas foram lançadas, o procurador federal com jurisdição eleitoral Ramiro González, abriu uma investigação preliminar sobre as declarações do candidato. “Há manifestações de um candidato presidencial de um grupo político que estaria denunciando acontecimentos de gravidade institucional ”, observou o procurador no processo aberto, no qual já recolheu um depoimento testemunhal do representante do grupo de extrema-direita, o advogado Santiago Viola.
A Câmara Nacional Eleitoral lembrou que as denúncias devem ser feitas presencialmente perante os órgãos eleitorais, delegados eleitorais, tribunais eleitorais federais e procuradores eleitorais federais. Também podem ser feitas virtualmente através do site padron.gov.ar/cne_denuncias/ . Em todos os casos será necessária a identificação da pessoa. Eis o comunicado oficial:

Ao meio-dia do domingo, a Câmara Nacional Eleitoral emitiu um comunicado informando que não serão aceitas denúncias anônimas de irregularidades, contravenções ou crimes ocorridos no dia das eleições . Isto ocorre no contexto de constantes denúncias de fraudes infundadas por parte de Javier Milei , cujos ativistas abriram um site para fazer denúncias anonimamente.
O chefe da Direcção Nacional Eleitoral, Marcos Schiavi , descartou qualquer possibilidade de fraude antes das eleições ao sustentar que “o sistema eleitoral é seguro” e que “a Câmara Nacional Eleitoral (CNE), os tribunais, as principais forças políticas, os seus representantes e seus respectivos assessores tecnológicos estão satisfeitos com o processo e tranquilos com a transparência.” Portanto, as dúvidas apresentadas publicamente por Milei e pelo seu advogado a pedido do procurador González não se refletem no processo seguido pela CNE.
NEM MASSA, NEM MILEI
Mesmo com maioria peronista, Massa ou Milei terão que negociar para quórum no Congresso. Foto: ReproduçãoCom os resultados do domingo, o jornal argentino Pagina12 explicou que “seja Sergio Massa ou Javier Milei [eleito como presidente], uma coisa é certa: nenhum deles terá o controle do Congresso, que ontem definiu sua composição para os próximos dois anos”.
Apesar da maioria peronista, o jornal analisa que o surgimento da “força libertária” de Milei e a maioria peronista, “obrigará quem vencer em 19 de novembro a negociar para alcançar quórum em ambas as Câmaras”.
Em 10 de dezembro o presidente eleito toma posse no lugar do atual líder Alberto Fernández, e em 11 dezembro, os deputados eleitos assumem seus cargos.
























