
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) da gestão de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, atrasou a demissão de Eduardo Arthur Izycki e Rodrigo Colli, impedindo a punição dos dois servidores que estavam sendo investigados por espionagem ilegal.
Segundo investigação da Polícia Federal (PF), a dupla de servidores espionou mais de 1,8 mil números de autoridades, incluindo políticos e jornalistas da oposição, com o uso ilegal do software First Mile. A demora na demissão pode ter sido causada pelas chantagens dos servidores, que ameaçavam denunciar o uso do software e o monitoramento ilegal.
Em 2021, a corregedoria-geral da Abin reconheceu a culpa de Colli e Izycki por terem feito uma licitação com uma empresa particular, que prestou serviços para outros órgãos públicos, incluindo o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro. Apesar da recomendação de demissão, Ramagem pediu que o processo fosse revisto, argumentando que a conduta dos agentes não foi individualizada e que faltavam mais provas sobre o conflito de interesses que tornaria a ação dos servidores ilegal.
A Polícia Federal prendeu Izycki e Colli. Eles foram finalemente exonerados em 20 de outubro desse ano.
A PF também de realizou 25 mandados de busca e apreensão e afastou cinco diretores da Abin.
Entidades da sociedade civil questionaram a contratação da empresa de inteligência Harpia Tech pelo governo brasileiro, embora o contrato tenha sido eventualmente autorizado pelo Tribunal de Contas da União.
























