
Ainda não se sabe com certeza quem comandará em Mato Grosso do Sul o Partido Renovação Democrática (PRD), criado pela fusão entre o PTB e o Patriota, aprovada por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois políticos são os cotados para dirigir a Executiva Regional, um com mandato, o deputado estadual Lídio Lopes, eleito pelo Patriota, e outro no “sereno político” desde que foi cassado seu mandato de senador, Delcídio Amaral, dirigente do PTB.
Além da influência inerente à autoridade do cargo, a presidência do PRD tem outras motivações interessantes, uma delas a financeira: o novo partido passa a ter, em âmbito nacional, direito a R$ 22,8 milhões do Fundo Partidário, referente aos valores deste ano. Mesmo a lançar na conta das cotas estaduais e municipais, a direção nacional sabe que este é um montante considerável para uma sigla que vai estrear nas eleições em 2024 com candidatos às prefeituras e câmaras de vereadores. Em princípio, a lógica indica que a seta preferencial para definir a presidência do PRD-MS deve apontar na direção do Lídio Lopes. É a lógica mais comum diante do cenário local: ele é deputado com quatro mandatos e esposo de Adriane Lopes (PP), prefeita de Campo Grande, o maior colégio eleitoral do Estado e pré-candidata à reeleição, e bem avaliada pelos campo-grandenses. Além disso, conta ainda a seu favor o fato de não constar da galeria de políticos que sofreram desgastes com denúncias ou casos sob suspeição.
Do lado oposto, um ex-senador que sobrevive na vida pública com prós e contras. Suas páginas positivas englobam o protagonismo de alto prestígio como homem-forte do PT no governo de Dilma Rousseff, ocupando posições destacadas no Congresso Nacional. Mas entrou numa sucessão de fracassos desde que perdeu a eleição para governador, em 2014. Em seguida sofreu sua queda mais fragorosa, ao ter o mandato senatorial cassado por quebra de decoro parlamentar, acusado de obstrução da Justiça nas investigações da Operação Lava Jato.
Fora do PT, transitou por outras siglas até fixar-se no PTB, do qual é a voz dirigente no Estado. Vem tentando retornar ao primeiro plano da política, mas sem sucesso. A fusão PTB-Patriota pode ser uma última esperança para alimentar seus sonhos de recuperar-se eleitoral e politicamente, objetivo que pode ser improvável se ficar fora do posto central de comando do PDR-MS.
























