Trump quer fim de elétrico americano e convida chineses a fazerem os seus nos EUA

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trump – foto: ttac

O último discurso do candidato à presidência dos EUA, o ex-presidente Donald Trump, criou um paradoxo que deve estar tirando o sono dos executivos das montadoras de Detroit e sorrisos do outro lado do Pacífico.

Isso porque Trump disse que acabará com o “mandato” de carros elétricos na indústria americana, sendo que não há lei alguma que obrigue os fabricantes a produzir carros elétricos. Tanto é que a desaceleração nas vendas fez GM, Ford e Stellantis mudarem suas estratégias para os híbridos plug-in.

Não há imposição e mesmo a Europa já segue o mesmo caminho, ainda que na China a eletrificação plena continue em virtude da guerra de preços, cuja previsão é de extinção de 85% das marcas por lá até 2030.

Trump quer liberar os fabricantes americanos de seus carros elétricos, mas eles não o farão e o motivo não é a relação com o governo Biden que, de fato, traçou uma meta de 50% de elétricos até 2035, mas não é lei.

No mesmo discurso, Trump – que sempre se incomoda com produção de carros no México – disse que os chineses deveriam fazer seus carros elétricos não no país latino, o vizinho do sul, mas nos EUA.

O convite contradiz totalmente a política atual do governo Biden, que blindou o mercado com 100% de tarifa de importação, espantando praticamente os chineses e fazendo pressão sobre o México. Nenhum fabricante da China se dispôs a montar fábrica nos states.

Talvez seja nesse ponto que Trump se apegou para fazer o convite, haja visto que a estratégia chinesa é importar para produzir depois. Chamar fabricantes como a BYD para dentro do mercado americano será visto como uma ameaça real para as marcas americanas.

A indústria americana alega que a entrada das marcas chinesas nos EUA provocariam a extinção de Detroit. Além disso, uma montadora chinesa nos EUA quebraria todas as barreiras feitas pelo atual governo à entrada de tecnologia da China no país.

Como se sabe, mesmo marcas europeias sofrem pressão quanto a conteúdo chinês em seus carros vendidos nos EUA. Então, se Trump decidir liberar o mercado americano para montadoras chinesas, Detroit não só terá de manter seus carros elétricos, como será obrigada a aumentar a oferta, indo exatamente na direção contrária à ideia do ex-presidente.

Trump aposta que o americano não deseja realmente os carros elétricos. Será? Testar a fé do consumidor com os chineses pode não ser uma boa ideia para si.

A Tesla está aí para mostrar que há espaço por lá e num mercado consolidado, como é o americano, você não conquista seu espaço, você o tira de alguém…

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