10.5 C
Dourados
Sexta-feira, Junho 26, 2026
Início Brasil Instituto Lex atua como holding de negócios da família Moraes

Instituto Lex atua como holding de negócios da família Moraes

Empresa com sede em São Paulo tem mulher e filhos do ministro como sócios e foi usada para comprar imóveis

As sanções do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), atingiram nesta 2ª feira (22.set.2025) o Instituto Lex, da mulher e dos filhos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. 

Apesar de trazer a palavra “instituto” no nome e de ter como principal finalidade a oferta de “treinamento profissional”, trata-se de uma empresa com fins lucrativos, a partir da qual a família de Moraes realiza negócios, como a compra de imóveis.

Moraes virou alvo em julho da Lei Magnitsky, instrumento usado pelos EUA para sancionar estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos. Para o governo Trump, Moraes promete uma “caça às bruxas” contra o Jair Bolsonaro (PL), ao relatar o processo que condenou o ex-presidente brasileiro por tentativa de golpe de Estado. Agora, a legislação norte-americana foi aplicada à mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e à empresa da família.

Em nota, o departamento do tesouro dos EUA, divulgou que o Instituto Lex atua como uma holding para Moraes. Os imóveis da família do ministro estão registrados no nome do instituto há mais de uma década. Em 2025, a família comprou uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, no valor de R$ 12 milhões, pagos à vista. A compra foi feita por meio da empresa.

Viviane é sócia-gerente e seus filhos são os sócios da empresa, fundada em 2000. A sede é em São Paulo, no mesmo endereço do escritório de advocacia Barci de Moraes. O capital social é de R$ 5 milhões. No Instagram, a página que leva o nome do Instituto Lex cita cursos jurídicos, mas não é atualizada desde 2017.

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, disse que o ministro “é responsável por uma campanha opressiva de censura, prisões arbitrárias e perseguições judiciais”. A autoridade do país norte-americano ainda declarou que as ações desta 2ª feira (22.set) “deixam evidente que o Tesouro continuará a mirar indivíduos que forneçam suporte material a Moraes enquanto ele viola direitos humanos”.

Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky, criada em 2012, é um instrumento de política externa dos EUA que permite sancionar indivíduos em todo o mundo considerados responsáveis por corrupção ou violações de direitos humanos. As punições geralmente envolvem bloqueio de ativos, proibição de entrada no país e restrições de negócios com cidadãos e empresas norte-americanas. As sanções são aplicadas com base nas listas mantidas pela Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, em português), como a SDN List (Lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas, em português).

Pessoas e entidades incluídas nessas listas têm ativos bloqueados em território norte-americano e ficam proibidas de realizar transações financeiras sob jurisdição dos EUA. O sistema de busca da Ofac é usado por bancos e empresas em todo o mundo para verificar se há vínculos com indivíduos sancionados, sendo considerado parte do processo de “due diligence” internacional. 

Além da sanção a Moraes, a Casa Branca também aplicou tarifas comerciais adicionais ao Brasil por considerar ilegal o julgamento de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão e está em prisão domiciliar desde 4 de agosto. O governo norte-americano ainda sancionou outras autoridades brasileiras, com a revogação de seus vistos de entrada nos EUA. São elas:

  • Alexandre Padilha, ministro da Saúde, e seus familiares;
  • Jorge Messias, ministro da AGU (Advocacia Geral da União);
  • Alberto Kleiman, coordenador-geral da COP30 da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica);
  • Airton Vieira, juiz instrutor que atua no gabinete de Moraes no STF; 
  • Benedito Gonçalves, ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral); 
  • Cármen Lúcia, ministra do STF
  • Cristiano Zanin, ministro do STF
  • Dias Toffoli, ministro do STF;
  • Edson Fachin, vice-presidente do STF;
  • Flávio Dino, ministro do STF
  • Gilmar Mendes, ministro do STF
  • Luís Roberto Barroso, presidente do STF
  • José Levi, ex-AGU; 
  • Marco Antonio Martin Vargas, juiz auxiliar de Moraes no TSE; 
  • Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde;
  • Paulo Gonet, procurador-geral da República;
  • Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, juiz auxiliar do gabinete de Moraes no STF.