7 C
Dourados
Quarta-feira, Junho 24, 2026
Início Capa Gleisi diz ter respeito por Alcolumbre após críticas do chefe do Senado

Gleisi diz ter respeito por Alcolumbre após críticas do chefe do Senado

Ministra de Lula diz que governo “repele” insinuações de que o Executivo estaria tentando dar contornos fisiológicos em troca pelo apoio a Messias

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou neste domingo (30.nov.2025) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem “o mais alto respeito e reconhecimento” pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e que jamais rebaixaria a relação institucional com o senador “a qualquer espécie de fisiologismo ou negociações de cargos e emendas”. 

A mensagem postada pela ministra em seu perfil no X é uma resposta à nota divulgada por Alcolumbre mais cedo. O presidente do Senado havia dito que há uma “tentativa de setores do Executivo” de dar contornos fisiológicos a eventuais divergências entre os Poderes. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de criar “a falsa impressão” de que conflitos institucionais se resolvem “com cargos e emendas”. 

“Isso é ofensivo não apenas ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”, afirmou Alcolumbre. “Nenhum Poder deve se julgar acima do outro, e ninguém detém o monopólio da razão”.

Gleisi rebateu: “O governo repele tais insinuações, da mesma forma que fez o presidente do Senado em nota na data de hoje, por serem ofensivas à verdade, a ambas as instituições e a seus dirigentes”.

A ministra de Lula citou outras indicações do Executivo que passaram pelo Senado.

“O critério de mútuo respeito institucional presidiu a indicação pelo governo e apreciação pelo Senado Federal de 2 dos atuais ministros do STF, do procurador-geral da República, em duas ocasiões, e de diretores do Banco Central e agências reguladoras. Todos esses processos transcorreram com transparência e lealdade de ambas as partes, respeitadas as prerrogativas do Executivo na indicação dos nomes e do Senado Federal na apreciação dos indicados”, escreveu.

O desentendimento ocorre a dias da sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para a vaga deixada pelo ministro Luiz Roberto Barroso. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) marcou a análise para 10 de dezembro –o governo tenta adiar. A sabatina é a etapa inicial antes de o nome ir ao plenário do Senado. Alcolumbre está contrariado após Lula não ter escolhido Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.

Messias tem hoje 11 votos assegurados na CCJ, segundo levantamento do Poder360. Sete senadores são contra, 3 não responderam e 6 não quiseram antecipar posição. Ele precisa de ao menos 14 votos para ser aprovado na comissão.

O cenário é favorável ao advogado-geral da União. Entre os que não declararam posição estão Renan Calheiros (MDB-AL) e Cid Gomes (PSB-CE), que costumam votar com o governo. Isso lhe daria 13 votos. A votação, porém, é secreta –faltaria convencer ao menos mais 1 senador.

Caso avance, Messias enfrentará um desafio maior no plenário: precisa de 41 dos 81 votos. A base governista soma cerca de 30. Ainda faltam 11 apoios.