
Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, o escritor e dramaturgo Manoel Carlos, um dos nomes mais influentes da história da televisão brasileira. A informação foi confirmada pela produtora da família, Boa Palavra. Em nota, os familiares informaram que o velório será reservado a parentes e amigos próximos e pediram respeito à privacidade neste momento de luto.
Conhecido carinhosamente como Maneco, Manoel Carlos foi um dos pioneiros da TV no Brasil e construiu uma trajetória que atravessou diferentes fases do audiovisual nacional. Ele iniciou a carreira na década de 1950 como ator no Grande Teatro Tupi, da extinta TV Tupi, dividindo cena com nomes que se tornariam referências da dramaturgia, como Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Sérgio Britto e Fernando Torres.
Além de atuar, Maneco também se destacou na adaptação de textos teatrais para a televisão, os chamados teleteatros. Anos depois, ele próprio reconheceria, com humor, que sua vocação maior estava na escrita, função que passou a ocupar de forma definitiva ao longo da carreira.
Na década de 1960, foi contratado pela TV Excelsior, onde criou o programa Bibi 60, apresentado por Bibi Ferreira. Em seguida, integrou a chamada “Equipe A” da TV Record, ao lado de profissionais como Nilton Travesso, Tuta de Carvalho e Raul Duarte. O grupo foi responsável por produções que entraram para a história da televisão, como A Família Trapo, Esta Noite se Improvisa e O Fino da Bossa, que revelou Elis Regina e Jair Rodrigues ao grande público.
Com a migração para a TV Globo, Manoel Carlos participou da criação do programa Fantástico e, a partir do fim da década de 1970, passou a se dedicar às telenovelas diárias — o gênero que o consagraria definitivamente. Sua estreia como novelista ocorreu em 1978 com Maria, Maria, exibida no horário das seis e marcada pelo cuidado estético e pela narrativa sensível.
Na sequência, vieram adaptações de obras literárias, como A Sucessora, além de trabalhos emblemáticos na televisão brasileira. Maneco também integrou a equipe de roteiristas do seriado Malu Mulher, produção inovadora que abordou temas sociais até então pouco discutidos na TV, como direitos das mulheres, violência doméstica e autonomia feminina.
Ao longo dos anos, consolidou um estilo próprio, centrado nos conflitos familiares, nos dilemas morais e nas emoções cotidianas. Obras como História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida tornaram-se referências e ajudaram a moldar a teledramaturgia contemporânea, especialmente pela profundidade de seus personagens femininos.
Com a morte de Manoel Carlos, a televisão brasileira perde um de seus maiores contadores de histórias — um autor que transformou o cotidiano em dramaturgia e deixou um legado duradouro na cultura nacional.
























