
Dados levantados pela rede municipal de saúde apontam que 11,4% das crianças nascidas em Dourados são filhos de mães com até 19 anos. O número faz parte de um estudo realizado em 2024, que analisou o perfil das adolescentes grávidas no município. A meta da administração municipal é reduzir esse índice para 7% até 2029.
O levantamento, apresentado em material técnico produzido pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra também a evolução da taxa de gravidez na adolescência nos últimos anos. Em 2020, o índice era de 13,03%, subindo para 13,80% em 2021. A partir de então, houve queda gradual: 12,60% em 2022, 11,66% em 2023 e 11,47% em 2024.
No ano passado, Dourados registrou 3.800 nascimentos, sendo 436 de mães adolescentes. Outro recorte do estudo revela diferenças no perfil das jovens mães de acordo com raça e cor. Entre os dados analisados em 2024, foram registrados 111 nascimentos de mães adolescentes brancas, 206 de mães pretas e pardas e 119 de mães indígenas, indicando maior incidência proporcional entre adolescentes indígenas.
Além de mapear os números, o estudo também aponta fatores sociais associados à gravidez precoce, como pobreza, abandono escolar, dificuldade de acesso à educação, menor acesso a serviços de saúde e planejamento reprodutivo, além da vulnerabilidade a situações de violência.
Município investe em prevenção
Para enfrentar o problema, Dourados passou a adotar novas estratégias de prevenção. O município se tornou o primeiro de Mato Grosso do Sul a adquirir, com recursos próprios, o método contraceptivo Implanon, um implante hormonal subcutâneo que tem duração de até três anos.
O dispositivo foi adquirido pela prefeitura ao custo unitário de R$ 482 e é destinado prioritariamente a adolescentes em situação de vulnerabilidade social que já possuem vida sexual ativa.
A coordenadora da Rede Aline, programa municipal voltado ao cuidado integral da saúde da mulher, Mariana Faria Gonçalves, explica que as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão orientando adolescentes e mulheres sobre o método.
“Basta procurar a unidade de saúde mais próxima para receber orientação da equipe médica e de enfermagem. Se a adolescente estiver dentro dos critérios estabelecidos, é possível agendar a inserção do implante na própria UBS”, afirma.
Segundo Mariana, o procedimento é simples e rápido. “A inserção é feita com anestesia local e dura cerca de três minutos”, explica.
Capacitação de profissionais
Para ampliar o acesso ao método, profissionais da rede municipal de saúde estão passando por capacitações entre fevereiro e abril. A previsão é que até o final de abril todas as unidades de saúde de Dourados estejam aptas a realizar o procedimento.
A expectativa da Secretaria de Saúde é que, com a ampliação do acesso aos métodos contraceptivos e o fortalecimento das ações educativas nas escolas e unidades de saúde, seja possível reduzir progressivamente os casos de gravidez na adolescência e atingir a meta de 7% até 2029.





























