
Há mais de cinco meses, Pedro Henrique, 33 anos, lida com a dor da morte do seu pai. O falecimento durante internação no Hospital Militar de Campo Grande continua tirando o sono de Pedro, que acredita que, se não fossem pelos erros no socorro, jamais teria acontecido.
De acordo com ele, o seu pai, ex-capitão do exército, identificado pelas iniciais C.R.M, fazia tratamento de hemodiálise no Hospital Militar há mais de cinco anos, e sempre teve problemas pontuais durante o tratamento. Os cuidados com o ex-capitão eram divididos entre o hospital e uma clínica terceirizada.
“Meu pai frequentava constantemente o Hospital Militar e a clínica em função das máquinas de hemodiálise, porém constantemente retornava. Por erros da clínica ou por erros no hospital, sempre relacionados a máquinas com falta de pressão ou por pressa para realização de hemodiálise, que era para ser feita em 4h e eles faziam em 1 a 2h para liberar o paciente”.
Segundo Pedro, no dia 18 de setembro de 2025, o caso do seu pai piorou enquanto ele fazia tratamento na clínica. Ela alegou não ser possível realizar a hemodiálise no dia porque o acesso da fístula (ligação direta entre artéria e veia) havia sido feito de forma errada pelo Hospital Militar.
“Eu saí às pressas do trabalho, pois o meu pai não podia ficar sem fazer [a hemodiálise]. Levei-o ao hospital e, chegando lá, os médicos disseram que estava tudo certo e que a clínica estava fazendo o procedimento errado, colocando muita pressão das máquinas no acesso, ocasionando que o corpo dele não aguentasse. Na pressa de liberá-lo, ficamos nessa incerteza de quem estava errado, porém não imaginávamos o que viria pela frente”, conta.
Pedro deixou o seu pai no hospital e afirma que a hemodiálise não foi feita até o dia seguinte, 19, quando o quadro do paciente piorou de vez por causa da demora para o tratamento e dos erros realizados pelas equipes. Sem conseguir fazer o procedimento, C.R.M teve acidez no sangue. No atestado de óbito realizado no dia 20 de setembro de 2025, consta como causa da morte “Choque Vasoplégico, Acidose Metabólica Grave, Insuficiência Renal Crônica”.
“Meu pai piorou, teve acidez no sangue e, infelizmente, era tarde demais. A demora e os erros tiraram a vida dele. O hospital militar demorou em chamar a clínica de apoio para realização no mesmo dia em que a clínica fez procedimentos errados e, assim, estamos todos tristes, indignados com ambos, o Hospital Militar com condições insalubres; a clínica lotada de pacientes, enfermeiros e médicos fazendo às pressas procedimentos que demorariam 4h em menos da metade. Tudo errado!”, afirma Pedro.
Em nota, a Comunicação Social da 9ª Região Militar afirmou estar apurando o caso.
“O Hospital Militar de Área de Campo Grande (H Mil A CG), por meio da 9ª Região Militar, informa que em relação ao caso citado, conforme relatório médico, o paciente deu entrada na unidade hospital em 18 de setembro de 2025 com um quadro médico de doença circulatória grave, situação esta agravada por comorbidades que o paciente possuía previamente. Foram realizados os procedimentos de emergência necessários, porém, o paciente não resistiu e veio a óbito no dia 20 de setembro de 2025. O H Mil A CG informa, ainda, que está sendo instaurada uma sindicância para apurar as circunstâncias e os detalhes técnicos que envolveram o fato. Mais informações sobre os procedimentos realizados durante o tratamento da paciente não podem ser divulgadas em função do que preconiza a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”.





























