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Domingo, Setembro 6, 2026
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Sem insulina em postos, prefeitura aprova lei prometendo sensores de monitoramento para diabéticos

A Prefeitura de Campo Grande sancionou nesta terça-feira (14) a Lei nº 7.610, que cria o programa “Glicemia sob Controle”, prometendo fornecer sensores digitais de monitoramento contínuo de glicose para pacientes com diabetes tipo 1.

A medida, no entanto, surge em meio a denúncias de falta de insumos básicos na rede pública e a uma licitação fracassada da própria saúde municipal, levantando dúvidas sobre a capacidade de gestão da nova política.

A lei foi sancionada pela prefeita Adriane Lopes (PP) e publicada no Diogrande (Diário Oficial), prevendo a distribuição dos sensores conforme prescrição médica e critérios que ainda serão definidos pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O texto também estabelece prioridade para pacientes em situação de vulnerabilidade social e condiciona a execução do programa à disponibilidade orçamentária do município.

Porém, essa pode ser mais uma lei de Campo Grande que não sai do papel. Isso porque a estrutura atual da rede pública já enfrenta dificuldades para garantir o básico no tratamento da diabetes, como insulina, seringas e tiras de medição de glicose.

Um exemplo recente dessa fragilidade é o fracasso da Dispensa de Licitação nº 025/2026, que previa a compra emergencial de suplemento alimentar hipercalórico para atender uma determinação judicial. O processo foi encerrado sem sucesso.

Enquanto isso, pacientes que procuraram o TopMídiaNews relatam um cenário crítico nas unidades de saúde da Capital. Há pelo menos três meses, itens essenciais para o controle da doença estão em falta em diversos postos. “A gente simplesmente não sabe se a glicose está alta ou baixa. E isso é perigoso”, relata um paciente que convive com diabetes tipo 1.

Sem acesso às tiras reagentes e seringas pelo SUS, muitos doentes têm sido obrigados a arcar com os custos do próprio tratamento. Segundo relatos, o gasto mensal pode ultrapassar R$ 300 apenas com materiais básicos. Agora, para uma pessoa que mal consegue sobreviver com um salário-mínimo ou até mesmo abaixo do piso nacional, o valor se torna inviável de ser mantido mensalmente.

Para quem depende do acompanhamento diário da glicemia, a ausência desses insumos representa risco real de morte. Sem medição adequada, crises de hipoglicemia ou hiperglicemia podem ocorrer sem aviso, levando a desmaios, complicações graves e até óbito.

Até o momento, a Sesau não detalhou como será feita a implementação do programa, nem quais recursos estão garantidos para sua execução. Também não há previsão de quando os sensores começarão a ser distribuídos.