Vereador critica privatização da saúde e pede ‘revolução’ no sistema público de Campo Grande (vídeo)

Durante sessão na Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Maicon Nogueira (PP) fez críticas à proposta de terceirização de unidades de saúde da Capital, defendendo investimentos diretos no sistema público em vez da adoção de organizações sociais (OSCs).

Em discurso, o parlamentar afirmou que não aceita intervenção na saúde por meio da privatização e destacou que as prioridades deveriam ser outras. “A única intervenção que este vereador aceita é a compra de medicamentos, a valorização dos profissionais da saúde e a contratualização de mais leitos”, disse.

Maicon também associou a gestão por organizações sociais ao aumento de irregularidades. Segundo ele, experiências em outros estados mostram resultados negativos. “Absolutamente em todos os estados brasileiros onde fizeram OS aumentou os índices de corrupção”, declarou.

O vereador ainda criticou a capacidade de fiscalização da Prefeitura, citando problemas com contratos atuais. Ele mencionou a empresa Produserv, que, segundo afirmou, recebe milhões em recursos públicos, mas apresenta falhas na prestação de serviços e no pagamento de funcionários. “Se não conseguem fiscalizar a qualidade do papel higiênico entregue hoje, imagina ampliar isso para a saúde”, pontuou, sugerindo inclusive a abertura de uma CPI para investigar a empresa.

O caso da Produserv foi denunciado pelo TopMídiaNews após relatos de funcionários apontarem falta de férias, pagamentos de empréstimos consignados e outros problemas com a empresa, que têm impactado diretamente a vida dos profissionais.

Outro ponto levantado foi o aumento da arrecadação municipal sem reflexos na valorização dos servidores da saúde. “Aumentou a arrecadação, aumentou a folha, mas não aumentou o salário do servidor da saúde. Então, o que justifica o aumento de tributo se não vai para o benefício da população?”, questionou.

Para o parlamentar, a cidade enfrenta um cenário de agravamento dos problemas estruturais, incluindo a saúde pública. Ele defendeu mudanças profundas, mas rejeitou a terceirização como solução. “Talvez não seja uma reforma, mas uma revolução. Só que essa revolução não vai chegar por meio da privatização. A privatização é uma porta aberta para ampliar a corrupção”, concluiu.

As declarações ocorrem em meio à mobilização de servidores da saúde, que lotaram a Câmara em protesto contra a proposta da Prefeitura. A iniciativa, defendida pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), prevê a terceirização de unidades como UPAs e CRSs, mas já foi rejeitada pelo Conselho Municipal de Saúde.

O colegiado argumenta que a medida não resolve os principais problemas da rede, como a falta de leitos hospitalares, e ainda pode dificultar a fiscalização dos recursos públicos, além de enfraquecer o vínculo entre profissionais e pacientes.