
Em sua primeira agenda oficial em Mato Grosso do Sul, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, autorizou a ampliação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, além de anunciar reforço nas ações de combate à chikungunya com a atuação de 100 agentes.
A visita ocorre em meio ao avanço da doença nas comunidades indígenas. Dos 1.259 casos confirmados no município, 914 são de indígenas, sendo que 218 necessitaram de atendimento hospitalar. Durante a agenda, o ministro participou de reunião com o Centro de Operações de Emergência (COE), onde foram discutidas estratégias para conter a epidemia.
As aldeias Jaguapiru e Bororó somam cerca de 20 mil moradores — população superior à de mais de 40 municípios sul-mato-grossenses. Apesar disso, a reserva ainda enfrenta precariedade no abastecimento de água, com ausência de rede encanada em diversas áreas, problema histórico sob responsabilidade do Governo Federal.
A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Lúcia Alberta Baré, também participou da agenda, junto com representantes do Ministério da Saúde, reforçando a mobilização conjunta diante do cenário sanitário.
O projeto de ampliação do sistema de água, elaborado pelo Governo do Estado e pronto desde janeiro, prevê a perfuração de novos poços e ampliação da rede para atender até 30 mil indígenas. A execução ficará sob responsabilidade da Agesul, com validade de três anos.
A falta de abastecimento adequado é apontada como um dos fatores que contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, já que muitas famílias utilizam reservatórios improvisados, favorecendo a água parada — ambiente ideal para o vetor da chikungunya.
Além das ações estruturais, o ministro destacou medidas emergenciais, como a contratação de agentes de combate às endemias — 20 já começam a atuar de imediato, enquanto outros 30 passarão por capacitação. Também foi confirmada a atuação de cerca de 90 militares das Forças Armadas no apoio às ações nas aldeias.
O projeto de abastecimento, orçado em R$ 48,7 milhões, estava travado por entraves burocráticos e agora foi autorizado. A proposta inclui a construção de poços profundos, reservatórios de grande capacidade, estações elevatórias e sistemas de cloração, além da ampliação da rede de distribuição de água.
Na Aldeia Bororó, o sistema será dimensionado para atender mais de 14 mil moradores, com reservatórios que somam mais de 1 milhão de litros de capacidade e rede de distribuição superior a 100 quilômetros, com milhares de ligações domiciliares.
Já na Jaguapiru, a expansão da rede também prevê dezenas de quilômetros de extensão e mais de 3 mil ligações, ampliando o acesso à água potável e reduzindo desigualdades históricas.
As duas aldeias, que completam 124 anos em 2026, formam a maior reserva indígena do país, com população majoritariamente dos povos Guarani-Kaiowá e Terena, vivendo em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares.





























