Drogas “premium” no tráfico: apreensões de “dry” e “skunk” milionárias chamam atenção

A apreensão de drogas com alto valor de mercado tem chamado a atenção das forças de segurança em Mato Grosso do Sul, não apenas pelas quantidades, mas pelos tipos de substâncias envolvidas. Termos como “dry” e “skunk”, cada vez mais comuns em ocorrências policiais, refletem uma mudança no perfil do tráfico, com produtos mais concentrados e valorizados.

No último fim de semana, o Departamento de Operações de Fronteira interceptou cerca de 47 quilos de “dry” durante bloqueio na região de Coronel Sapucaia. A carga estava escondida em compartimentos ocultos de um veículo, técnica conhecida como “mocó”. O material foi avaliado em mais de R$ 3 milhões.

O condutor, de 52 anos, afirmou que apenas faria o transporte entre Caarapó e Coronel Sapucaia, sem participação direta na origem da droga.

O que é o “dry”?

Conhecido no mercado ilegal como uma forma refinada de haxixe, o “dry” é produzido a partir da resina da cannabis. O processo consiste na separação dos tricomas — estruturas que concentram os compostos ativos da planta — por meio de técnicas mecânicas, sem uso de solventes.

O resultado é um produto mais potente e com alto valor comercial, frequentemente associado ao chamado “haxixe paquistanês”, com origem histórica na Ásia.

E o “skunk”?

Outra substância que tem aparecido com frequência em apreensões é o “skunk”, uma variação mais forte da maconha, cultivada para ter maior concentração de substâncias psicoativas.

Antes do feriado de Tiradentes, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu grande carregamento em Corumbá. No total, foram 484 quilos de drogas, incluindo 303 kg de skunk e 180 kg de cocaína.

Novo cenário do tráfico

As apreensões indicam uma tendência de sofisticação no tráfico de drogas, com foco em produtos mais concentrados, de maior valor e mais difíceis de detectar.

Além disso, o uso de compartimentos ocultos em veículos continua sendo uma das principais estratégias para transporte, especialmente em regiões de fronteira como Mato Grosso do Sul, que se consolidam como rota estratégica para esse tipo de crime.