Crise da chikungunya acelera obras de novos superpoços nas aldeias

A epidemia de chikungunya registrada neste ano nas aldeias indígenas de Dourados parece que irá acelerar os planos da Sanesul para ampliar o fornecimento de água nas comunidades da região. Ao menos é o que a companhia anunciou que pretende lançar uma série de licitações para implantação de novos sistemas de abastecimento nas aldeias Bororó e Jaguapiru, além de áreas indígenas localizadas em Itaporã.

Conforme o diretor-presidente da empresa, Renato Marcílio, a previsão é que as primeiras obras comecem ainda em 2026. O projeto prevê a instalação de estruturas consideradas de grande porte, incluindo superpoços, reservatórios e redes de distribuição capazes de atender toda a população das aldeias.

Segundo Renato, o tamanho da operação foi planejado levando em conta o número de moradores existentes nas comunidades indígenas de Dourados, que somam aproximadamente 25 mil pessoas.

“É praticamente como estruturar um município inteiro do zero. Cada aldeia terá um sistema independente, com poços de alta vazão, reservação robusta e distribuição para todas as moradias”, explicou ao Campo Grande News.

A empresa informou que os poços terão profundidade superior aos sistemas convencionais utilizados atualmente pela Sanesul, justamente para garantir maior capacidade de captação e abastecimento contínuo.

Além disso, os reservatórios serão dimensionados para manter o fornecimento mesmo nos períodos em que os poços não estiverem operando.

Para acelerar o cronograma, a companhia decidiu dividir os contratos em etapas. As três primeiras licitações devem ser abertas nos próximos 30 dias. Duas delas serão destinadas à perfuração dos superpoços nas aldeias de Dourados, com investimento do Governo do Estado. Já a terceira atenderá comunidades indígenas de Itaporã, utilizando recursos da Itaipu Binacional.

Após essa fase inicial, a Sanesul pretende abrir outras sete licitações voltadas à implantação de redes e reservatórios nas aldeias atendidas.

Ao todo, o pacote prevê dez processos licitatórios ligados aos sistemas de abastecimento indígena. A expectativa da empresa é iniciar todas as frentes de obras até o final deste ano.

A ampliação da infraestrutura ocorre após os problemas enfrentados durante a epidemia de chikungunya nas aldeias da Grande Dourados. Na época, moradores e lideranças denunciaram interrupções frequentes no abastecimento e a necessidade de armazenar água em recipientes improvisados, cenário que contribuiu para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

A comunidade indígena de Dourados é composta por cerca de 20 mil pessoas, quantidade populacional superior a 43 municípios de Mato Grosso do Sul. Com mais de 100 anos de criação, a Reserva indígena de Dourados enfrenta problemas extremamente básicos, como falta d’água. Milhares de famílias são obrigadas a pegar água em riachos, enquanto outras dependem de caminhão-pipa para abastecer caixas d’águas.