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Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Com Lula, Alcolumbre embarca no discurso de soberania nacional

Presidente do Senado participou do anúncio de petróleo na Margem Equatorial e criticou países que tentam “tutelar” o Brasil

De volta ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aderiu ao slogan do Planalto e defendeu a soberania nacional na 2ª feira (17.ago.2026), ao comemorar a descoberta de petróleo pela Petrobras na Margem Equatorial. No Amapá, ele discursou em uma plataforma marítima da estatal antes de o petista tomar a palavra. 

Alcolumbre atribuiu ao atual presidente o avanço da exploração na costa do Amapá e disse ser necessário reconhecer quem “enfrentou” as resistências internas e externas ao projeto. Falou que a exploração da Margem Equatorial contribui para a “soberania energética”. Segundo o senador, outros países tentam “tutelar” o futuro brasileiro “de uma forma ou de outra”.

Sob a sua liderança, como presidente da República e a trincheira de defesa do Congresso Nacional, nós dizemos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do nosso Brasil, que nós decidamos o que nós queremos do Brasil”, declarou.

Durante o evento, Lula afirmou que a descoberta é um “passaporte para o futuro” e uma oportunidade para o país decidir sobre o uso de seus próprios recursos. 

O presidente tem adotado esse tom ao tratar de riquezas naturais e tecnologia. O petista associa soberania ao controle brasileiro sobre riquezas estratégicas e à capacidade de transformá-las em desenvolvimento. O discurso serve para defender que decisões sobre o Brasil não sejam submetidas a interesses externos. 

A soberania tem sido o mote do governo, que tem tido atritos com os Estados Unidos em temas como big techs, Pix e minerais críticos. Para a disputa eleitoral, o Planalto busca colar no candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), a pecha de “entreguista” e “traidor da pátria” pelo alinhamento com o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano).

APROXIMAÇÃO DE LULA E ALCOLUMBRE

A cerimônia marcou o 1º encontro público dos 2 após a retomada do diálogo entre eles. Alcolumbre atribuiu ao atual presidente o avanço da exploração na costa do Amapá e agradeceu a Lula pela defesa do projeto ao longo dos últimos anos.

Lula, por sua vez, agradeceu a Alcolumbre pelo encaminhamento de 3 pautas prioritárias do governo no Senado: a PEC da Segurança Pública, a proposta que trata do fim da escala 6 X 1 e o marco sobre minerais críticos.

Os 2 voltaram a conversar em 4 de agosto, pela 1ª vez desde que o Senado barrou a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). Os encontros têm sido positivos para os 2 lados.

Para o PT, Alcolumbre precisará do apoio de Lula para tentar continuar na Presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027. O senador se afastou do grupo de Flávio Bolsonaro, que escolheu Rogério Marinho (PL-RN) como candidato ao comando da Casa, o que tornou uma aproximação com o Planalto mais importante para sua articulação.

Em troca, os petistas esperam que Alcolumbre ajude a avançar pautas prioritárias do governo citadas por Lula no evento.

MARGEM EQUATORIAL

O petróleo foi encontrado no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial. A estrutura está localizada a cerca de 175 km da costa do Amapá e a quase 500 km da foz do rio Amazonas. A perfuração começa após 2.886 metros de água. A Petrobras está explorando o poço desde 20 de outubro de 2025. 

A presença de petróleo na região não significa que a área já está pronta para ser explorada. A descoberta ainda está na fase exploratória, período em que a companhia perfura poços e envia sondas para debaixo do solo para verificar a presença, o volume, a qualidade e a viabilidade econômica de um determinado reservatório.