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Domingo, Setembro 20, 2026
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Michelle Bachelet retira candidatura à secretária-geral da ONU

Decisão ocorre após perda de apoio do presidente do Chile e enfraquecimento nas rodadas informais do Conselho de Segurança

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet, 74 anos, desistiu da candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. O anúncio foi feito no sábado (19.set.2026) em vídeo publicado nas redes sociais.

“Hoje, anuncio que decidi não continuar com a minha candidatura a secretária-geral das Nações Unidas”, declarou Bachelet, no início de sua mensagem.

Não me arrependo de ter assumido esse grande desafio. Ajudamos a colocar na agenda global a convicção de que a próxima pessoa a ocupar o cargo de secretário-geral deve ser uma mulher da América Latina”, acrescentou.

A retirada da candidatura encerra a tentativa de Bachelet de se tornar a 1ª mulher a comandar a ONU em seus 80 anos de existência. A indicação de Bachelet havia sido feita pelo ex-presidente chileno Gabriel Boric (Frente Ampla, esquerda) em fevereiro deste ano, com o apoio formal do Brasil e do México.

No vídeo, a ex-presidente agradeceu ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e à presidente do México, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), afirmando que ambos “apoiaram esta candidatura desde o 1º dia com generosidade e convicção.”

Assista: 

INTENÇÕES DE VOTO

A decisão de Bachelet vem depois que o Conselho de Segurança divulgou, na 6ª feira (18.set), o resultado da 3ª pesquisa informal de intenções de voto. Bachelet recebeu só um voto favorável, 11 contrários e 3 sem posição, queda ante os 6 votos favoráveis registrados em julho e os 2 de agosto.

A retirada do apoio do Chile, ligada ao posicionamento do atual presidente José Antonio Kast (Partido Republicano, direita), também contribuiu para o enfraquecimento de sua candidatura.

Com a saída de Bachelet, Rebeca Grynspan, costarriquenha e atual chefe da agência de comércio e desenvolvimento da ONU, aparece como favorita.

Estão na disputa a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o ex-presidente senegalês Macky Sall e a diplomata equatoriana Maria Fernanda Espinosa.

O vencedor da disputa substituirá António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.

O novo secretário-geral deve assumir uma organização em situação financeira crítica. No início do ano, Guterres alertou os países-membros sobre o risco de colapso financeiro iminente da ONU. Ao fim de 2025, as contribuições em atraso somavam US$ 1,57 bilhão, e só uma fração dos países havia quitado integralmente suas cotas.

Líderes mundiais se reúnem em Nova York a partir de 3ª feira (22.set) para a sessão da Assembleia Geral.

Leia a íntegra da nota de Bachelet:

“Hoje, anuncio que decidi não continuar com a minha candidatura a secretária-geral das Nações Unidas.

Alguns podem acreditar que este não era o momento certo para o tipo de candidatura que busquei representar, em um momento no qual sopram ventos fortes contra princípios como o multilateralismo; contra o direito internacional, que vem sendo repetidamente violado; contra a realidade das mudanças climáticas, que alguns insistem em negar apesar das evidências científicas; e contra a democracia e os direitos humanos, que estão sob ameaça.

Pelo contrário –embora este tenha sido um esforço árduo desde o início–, sigo convicta de que este era precisamente o momento de erguer a nossa voz em defesa desses princípios, os quais coloquei com orgulho no centro da minha candidatura.

“Não me arrependo de ter assumido esse grande desafio. Ajudamos a colocar na agenda global a convicção de que a próxima pessoa a ocupar o cargo de secretário-geral deve ser uma mulher da América Latina: alguém verdadeiramente independente, leal aos princípios da Carta das Nações Unidas e preparada para defendê-los com firmeza perante todos os Estados, independentemente de seu tamanho ou poder.

“Agradeço especialmente ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e à presidente do México, Claudia Sheinbaum, que apoiaram esta candidatura desde o 1º dia com generosidade e convicção. Também quero agradecer ao povo do Chile e aos cidadãos de todo o mundo que manifestaram seu carinho e apoio.

Continuarei agora, com a mesma determinação de sempre, o meu trabalho internacional. Permanecerei ativamente engajada na tarefa urgente de construir um mundo com mais paz, segurança, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos.

“Muito obrigada.”